quinta-feira, fevereiro 5, 2026
No Result
View All Result
PODER
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
No Result
View All Result
Poder
Home Saúde

A sociedade alinhavada na história das roupas

by Redação
abril 4, 2025
in Saúde
0
Catarina I da Áustria (Ticiano) - Imagem: Divulgação
Catarina I da Áustria (Ticiano) - Imagem: Divulgação
Catarina I da Áustria (Ticiano) – Imagem: Divulgação

Marlene Polito Publicado em 03/09/2024, às 11:30

Olho embasbacada para o vestido de Catarina I da Áustria que o Kunsthistorisches Museum de Viena traz em uma de suas exposições temporárias.

Com seu veludo de alta qualidade, brocados adornados com fios de ouro e prata, e pedras preciosas costuradas diretamente no tecido, o vestido representa o auge do luxo e poder da nobreza europeia dos séculos XVI e XVII.

Muitos artistas, na história da arte, ajudaram a documentar e celebrar a moda e o luxo de suas épocas através de suas obras, possibilitando uma perspectiva particular sobre a importância social e cultural das vestes suntuosas ao longo do tempo. Ticiano foi um deles, retratando lindamente em um de seus quadros a peça que tenho a minha frente.

O vestido resplandece sob as luzes do museu. Volto a olhar maravilhada, e me surpreendo ao lembrar da lenda “O rei está nu”. Seria possível estabelecer uma correlação simbólica entre o vestido de Catarina I da Áustria e a famosa lenda de Hans Christian Andersen?

A resposta me vem rápida e certeira: sim, ambos podem ser vistos como reflexões sobre poder, ostentação e, principalmente, sobre a ilusão que as roupas podem gerar em termos de status e autoridade.

Reflito, então: Ah, essa linha tortuosa do tempo! Essa janela fascinante em que tudo muda e, no final, nada muda!

Uma viagem no tempo: retrocedendo na análise

Os hábitos antecedentes que contribuíram para essa prática no século XVI e XVII foram moldados por uma longa tradição de exibição de poder e riqueza.

Desde as primeiras civilizações, como no Egito Antigo, Roma e China imperial, as elites utilizavam bens materiais, incluindo vestimentas, para demonstrar seu poder e autoridade.

A ostentação pública de riqueza, por meio de roupas ornamentadas com materiais raros e preciosos, era um sinal claro de status, reforçando hierarquias sociais. Esse hábito estabeleceu a base para as práticas subsequentes nas quais a riqueza era investida em símbolos de distinção pessoal.

Leis sumptuárias, que regulavam quem podia usar certos tipos de roupas ou adornos, eram comuns na Idade Média e no Renascimento. Elas tinham o propósito de delimitar claramente as classes sociais, garantindo que apenas a nobreza pudesse ostentar determinados tecidos, cores ou joias.

Essas regras, anteriores ao período do século XVI, consolidaram o papel da moda como marcador de posição social e facilitaram a ideia de roupas como um investimento simbólico (matrimônios, negócios): o capital social se materializava através da aparência pública e dos bens visíveis.

Classe Média e consumo

O surgimento da classe média criou um movimento de imitação das elites, mas também desencadeou adaptações nas práticas da nobreza e no controle social por meio das leis sumptuárias. Esse processo moldou a relação entre moda, consumo e status ao longo dos séculos, impactando a maneira como diferentes classes sociais lidavam com a exibição de poder e riqueza.

A contemporaneidade

Hoje pode-se claramente traçar um paralelo entre o comportamento atual, relacionado a roupas de grifes famosas, bolsas e sapatos exclusivos, e as práticas de distinção social da nobreza e aristocracia de séculos passados. Vários aspectos desse comportamento contemporâneo seguem uma lógica sociológica semelhante àquela observada na elite aristocrática.

Roupas e acessórios de luxo, como bolsas Hermès Birkin, sapatos Christian Louboutin e vestidos de alta-costura de marcas como Chanel e Dolce & Gabbana são itens de luxo, acessíveis apenas a uma elite econômica.

Muitas vezes feitos com materiais raros e edições limitadas, funcionam como símbolos de status social e exclusividade, com o valor desses itens ultrapassando o simples uso funcional, tornando-se representações de poder e distinção.

Na era digital, a exibição desses produtos em redes sociais aumenta ainda mais sua visibilidade, criando um ciclo de aspiração e desejo. A cultura da exibição, amplifica esses efeitos, criando uma dinâmica de validação externa baseada no consumo de luxo.

Para os poucos que têm acesso a esses itens, há uma sensação de exclusividade, prestígio e poder. Para os que aspiram a tais objetos, isso pode gerar sentimento de frustração, desejo inalcançado e pressão social para consumir, mesmo que fora de suas possibilidades econômicas.

Uma possível palavra final

Seja no século XVI ou no XXI, a roupa é mais do que um tecido; é uma narrativa. Ela conta a história de quem somos – ou de quem queremos que os outros pensem que somos. E talvez seja isso o que permaneça inalterado: no final, todos nós, nobres ou não, Catarina I ou o Rei Nu de Andersen, dependemos do que vestimos para dar forma às nossas aspirações e ilusões.

ShareTweet
Redação

Redação

Mais da CBN Posts

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

SUS oferece imunizante contra bronquiolite para bebês prematuros

by Redação
fevereiro 4, 2026
0

A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber imunizante contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS)....

Continente americano perde certificação de eliminação do sarampo

Casos de sarampo crescem 32 vezes nas Américas; OMS emite alerta

by Redação
fevereiro 4, 2026
0

O aumento de quase 23 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025...

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028

by Redação
fevereiro 4, 2026
0

O Brasil deve ter 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. O câncer se aproxima...

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

by Redação
fevereiro 3, 2026
0

A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber vacina contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS)....

Saúde anuncia 3 mil vagas de residência e 900 para especialistas

Saúde anuncia 3 mil vagas de residência e 900 para especialistas

by Redação
fevereiro 3, 2026
0

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (3) edital para a oferta de 3 mil vagas de residência médica. Com...

Anvisa manda recolher decoração de alimentos com plástico e glitter

Anvisa proíbe venda de leite condensado e dois suplementos

by Redação
fevereiro 3, 2026
0

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (2), a interdição cautelar do leite condensado semidesnatado La Vaquita...

Next Post
Interrupção ocorreu em um trecho da rede subterrânea que afeta a região de comércio popular na capital paulista - Imagem: Reprodução/ g1

Após o apagão que afetou 800 imóveis, as lojas da 25 de Março retomam suas atividades; entenda

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Poder

© 2025 - Todos os direitos reservados

Siga-nos

No Result
View All Result
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação