A Hapvida anunciou uma ampla reestruturação em sua cúpula executiva, com a chegada de um novo diretor financeiro e mudanças relevantes em posições estratégicas. O movimento, descrito pela companhia como uma combinação entre continuidade e renovação, ocorre em meio a um esforço para recuperar credibilidade junto ao mercado.
O novo CFO será Lucas Garrido, profissional com trajetória em consultoria e gestão de investimentos. Nos últimos anos, ele atuou como sócio do Boston Consulting Group, onde já vinha assessorando a própria Hapvida em projetos ligados à eficiência operacional e revisão comercial. Antes disso, acumulou passagens por instituições como Itaú Asset Management, GIC e GP Investments.
Garrido assume a função no lugar de Luccas Adib, que passa a ocupar a presidência executiva da companhia, conforme já havia sido antecipado anteriormente. Já Jorge Pinheiro deixa o cargo de CEO para assumir a presidência do conselho de administração, sucedendo Cândido Pinheiro.
Segundo a empresa, o novo diretor financeiro terá papel central na condução da estratégia, atuando de forma próxima ao CEO nas decisões de negócio. Entre as prioridades estão o fortalecimento das análises financeiras, maior disciplina na gestão de caixa e a revisão do portfólio de ativos, com foco em maior eficiência e aderência às demandas dos clientes.
A reformulação vai além da área financeira. A companhia também anunciou novos nomes para posições-chave, incluindo vice-presidências nas áreas jurídica, de estratégia, pessoas e produtos premium, além de um novo diretor médico. A proposta é integrar executivos com experiência diversificada sem abrir mão do conhecimento interno acumulado ao longo dos anos.
As mudanças acontecem em um momento delicado para a empresa. Nos últimos 12 meses, as ações sofreram forte desvalorização, refletindo preocupações com margens, integração de operações e desafios operacionais. Ao mesmo tempo, movimentos recentes indicam uma tentativa de virada.
Entre eles, estão o aumento da participação da família controladora, que passou a deter mais da metade do capital, e a avaliação de venda de ativos na região Sul — iniciativas vistas como parte de um plano mais amplo de reestruturação. O papel reagiu positivamente às sinalizações, acumulando ganhos recentes na B3.
A leitura entre analistas é de que a empresa busca retomar o controle de sua narrativa diante de um ambiente ainda marcado por cautela. O sucesso dessa nova fase, no entanto, dependerá da execução das mudanças e da capacidade de traduzir o novo desenho estratégico em resultados concretos.







