domingo, agosto 9, 2026
No Result
View All Result
PODER
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
No Result
View All Result
Poder
Home Economia

Trabalho de cuidado: “Mulheres têm escala 7×0”, diz pesquisadora

by Redação
maio 1, 2026
in Economia
0
Trabalho de cuidado: “Mulheres têm escala 7×0”, diz pesquisadora




Boa parte dos trabalhadores brasileiros está descansando neste feriado de 1° de maio, que marca o Dia do Trabalhador. 

Existe uma categoria, no entanto, que não consegue parar nem nos feriados, nem nos fins de semana e, muitas vezes, nem quando adoece. São as pessoas que cuidam de crianças, idosos e do ambiente doméstico, garantindo a sobrevivência e o bem estar dos membros de suas famílias. 

Essa função tem gênero bem definido: mulheres dedicam quase dez horas a mais por semana aos cuidados de outras pessoas e da casa, segundo dados oficiais do IBGE.

Para a professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cibele Henriques, trata-se de uma desigualdade com raízes históricas, construída ao redor de um discurso simbólico que se sustenta até hoje. 

“Não existe um laboratório para gerar humanos, então não tem como substituir o trabalho de reprodução feito pelas mulheres. Ele é o útero motor do capitalismo, porque gera capital humano. Pra garantir que ele seja feito, se cria, com a ajuda da Igreja a ideia desse amor materno mítico e dessa obrigação”, explica. 

Ela complementa, fazendo uma referência à frase famosa da filósofa feminista Silvia Federici – O que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago.

“Mas esse amor, na verdade, é trabalho não pago, que traz sobrecarga psíquica, física e social e retira da mulher a possibilidade de ter saúde mental e social.”

Cuidado

Cibele estuda o tema do Cuidado há muitos anos e vivencia essa sobrecarga na prática como mãe de duas filhas.

Ela é co-fundadora do Observatório do Cuidado, que estimula a produção acadêmica sobre o tema, e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, uma ponte para fora da universidade, para conectar mães e incidir politicamente.

A acadêmica defende essa abordagem econômica porque, por mais que as tarefas de cuidado sejam permeadas por amor e afeto, esses sentimentos acabam justificando a exploração da mão de obra feminina, na execução de um trabalho fundamental para a sociedade. 

“Se tempo é dinheiro, o dinheiro das mulheres é expropriado delas. Porque o tempo das mulheres é usado para cuidar dos outros. As mulheres são grandes doadoras de tempo e de trabalho não pago para os homens.” 

Segundo Cibele, isso ocorre, tanto nos casos das mulheres que trabalham exclusivamente com o cuidado de suas famílias quanto daquelas que exercem dupla função, com uma ocupação remunerada fora de casa, além das tarefas de cuidado. 

“Hoje, por exemplo, é Dia do Trabalhador, mas quem vai poder realmente descansar nesse feriado? Porque a mulher que trabalha fora, em um dia de folga, ela pensa assim: ‘Ah, vai dar sol, então eu vou lavar roupa, vou arrumar a casa, vou adiantar as compras.’ O tempo da mulher nunca é usado só para ela”. 

E complementa: “A discussão sobre a escala 6×1 é muito importante, e a gente precisa avançar nesse debate. Mas na verdade as mulheres vivem uma escala 7×0. Especialmente as negras e periféricas. Porque as mulheres de classe média alta têm formas de transferir esse trabalho. Mas para as mulheres negras periféricas, ele é posto como obrigação.”
 


Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cibele Henriques posa para foto no centro do Rio Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro, 30/04/2026 – A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cibele Henriques posa para foto no centro do Rio Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cibele Henriques é co-fundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro – Tomaz Silva/Agência Brasil

Obrigação construída

Cibele explica que essa obrigação associada ao cuidado é construída desde a infância.

“Você vai dar o que para o menino brincar? Carrinho. Pra menina você vai dar panelinha, bonequinha. Você já dissocia a esfera pública da privada e tudo que é doméstico fica a cargo da mulher.”

Isso se soma a diversos discursos sociais que “desoneram” os homens do cuidado e sobrecarregam as mulheres, complementa.

Como exemplo, ela cita uma realidade comum de muitas famílias após o divórcio, quando a mulher assume integralmente o cuidado dos filhos, e a obrigação do pai se resume ao pagamento da pensão alimentícia.

“Não que fosse muito diferente antes, porque muitas mulheres são mães solo mesmo dentro de um casamento”, ressalva. 

Para a pesquisadora, os movimentos recentes que tentam reforçar esse papel tradicional da mulher como cuidadora exclusiva são uma resposta à insurgência das mulheres que não querem mais ocupar esse lugar. Mas novamente, a raiz do problema é econômica, defende Cibele. 

“A questão real é que não tem trabalho para todo mundo e as mulheres têm cada vez mais escolarização e competência. A gente tem um sistema capitalista consolidado, mas que tem suas crises, se reconfigura. Uma esposa tradicional é justamente uma dessas reorganizações, de reposição do lugar da mulher. É uma regressão com esse apelo mítico, mas são categorias econômicas, não categorias morais.” 

Violência de gênero

Ela reforça que além de impor uma sobrecarga e relegar à mulher um trabalho não remunerado, a responsabilidade pelo cuidado também fortalece a violência de gênero, já que muitas mulheres permanecem em relações violentas justamente porque não têm renda própria e precisam cuidar dos filhos ou outros familiares. 

Para Cibele Henriques, além de depender de uma quebra dos papéis tradicionais, a solução também passa por um envolvimento maior do Estado.

A pesquisadora também alerta para uma situação insustentável que o Brasil deve viver nos próximos anos, já que a população está envelhecendo, e os idosos precisarão de cuidados ao mesmo tempo em que o país ainda terá muitas crianças. 

“O sistema de proteção social hoje atua principalmente para evitar ou reparar violências e violação de direitos, e o ônus do cuidado em situações normais fica com a mulher. Mas se a gente tiver uma política de cuidados estruturando a rede de suporte, seria o contrário, aí você desoneraria essa mulher”, acrescenta.



Fonte da notícia

ShareTweet
Redação

Redação

Mais da CBN Posts

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

Durigan diz que aumento da dívida decorre dos juros, não dos gastos

by Redação
agosto 8, 2026
0

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o aumento da dívida brasileira não se deve ao aumento de gastos,...

CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai

CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai

by Redação
agosto 8, 2026
0

O indicador que mede a proporção de famílias que têm dívidas, em atraso ou não, chegou a 82% em julho, marcando...

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025

by Redação
agosto 7, 2026
0

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. O montante corresponde ao valor líquido, ou...

Poupança tem retirada líquida de R$ 15 bilhões em setembro

Retiradas da poupança superam depósitos em R$ 7,15 bilhões em julho

by Redação
agosto 7, 2026
0

As retiradas da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 7,15 bilhões em julho deste ano, segundo relatório divulgado...

Conselho da Petrobras aprova nome de indicado pelo governo

Petrobras tem lucro líquido de R$ 52,4 bi no segundo trimestre

by Redação
agosto 7, 2026
0

A Petrobras teve lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões) no segundo trimestre de 2026, 97% a mais em...

Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil

Pix amplia participação nos pagamentos em bares e restaurantes

by Redação
agosto 7, 2026
0

O Pix respondeu por 20,5% das vendas presenciais em bares e restaurantes do país, segundo pesquisa da Associação Brasileira de...

Next Post
Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas segue em UTI

Cirurgia no ombro de Bolsonaro ocorreu sem intercorrências, diz equipe

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Poder

© 2025 - Todos os direitos reservados

Siga-nos

No Result
View All Result
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação