A Hapvida está promovendo uma revisão ampla de sua estrutura operacional como parte do Plano de Transformação anunciado pela nova administração. A iniciativa busca adequar a capacidade instalada à demanda dos beneficiários, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência dos recursos destinados à assistência.
As medidas foram detalhadas durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, realizada nesta quinta-feira (13).
A companhia passou a analisar individualmente hospitais, clínicas e estruturas de diagnóstico, considerando indicadores como ocupação, escala de pessoal, mix de especialidades e utilização dos serviços.
A partir desse diagnóstico, centenas de leitos que estavam ociosos já foram racionalizados.
A medida faz parte de um processo mais amplo de adequação da rede própria, que prevê a redução de mais de 30 unidades, entre fechamentos e revisão de aberturas anteriormente planejadas.
A conclusão desse processo está prevista para aproximadamente 60 dias.
Rede adequada à demanda
A revisão não representa apenas uma redução de estruturas. A proposta da companhia é adequar sua rede à demanda efetivamente observada em cada região, buscando preservar a capacidade assistencial onde ela é necessária e evitar recursos subutilizados.
Essa lógica integra o esforço da Hapvida para tornar sua operação mais previsível e eficiente.
A companhia também vem avaliando o relacionamento com prestadores terceiros, com renegociações, redirecionamento de volumes e empacotamento de procedimentos.
Em São Paulo, cerca de 40% do custo cirúrgico já havia sido empacotado nos últimos 60 dias. O modelo deverá ser ampliado para o Rio de Janeiro e para o interior paulista.
A estratégia permite maior previsibilidade sobre os custos e contribui para aprimorar a gestão da operação assistencial.
Contratos também passam por revisão
O processo de transformação se estende à estrutura administrativa. A Hapvida está revisando contratos que representam mais de R$ 4 bilhões em despesas anuais.
A empresa também trabalha na padronização dos prazos de pagamento, iniciativa que deve gerar efeitos positivos sobre o capital de giro a partir do terceiro trimestre.
O objetivo é aplicar a mesma disciplina utilizada na operação assistencial à estrutura administrativa e aos processos de contratação.
Gestão baseada em dados
A nova administração também reforçou o uso de informações operacionais para orientar decisões.
A área de riscos foi reestruturada e passou a utilizar inteligência artificial, dados e ferramentas estatísticas para identificar possíveis irregularidades.
A iniciativa amplia a capacidade da companhia de combater fraudes e desperdícios e representa uma frente importante na busca por maior eficiência.
Segundo Luccas Adib, a transformação exige execução disciplinada e acompanhamento contínuo.
“Temos um diagnóstico claro, um plano em curso e devemos ser cobrados pela execução”, afirmou o CEO durante a apresentação dos resultados.
Para o executivo, a recuperação da companhia será construída progressivamente, a partir de medidas que atuam simultaneamente sobre custos, receitas, operação e experiência dos beneficiários.
A expectativa da Hapvida é que a combinação dessas iniciativas gere uma operação mais racional, sustentável e preparada para responder às necessidades dos seus milhões de beneficiários.






