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Quem é o bilionário Silvio Tini de Araujo que montou um plano com o Casino para salvar o Grupo Pão de Açúcar

Empresário e investidor ampliou participação no GPA a 25,8% para se tornar maior acionista da companhia. Ele também é acionista da Alpargatas, IRB, Bombril e Gerdau

by Marina Roveda
agosto 21, 2026
in Economia
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Quem é o bilionário Silvio Tini de Araujo que montou um plano com o Casino para salvar o Grupo Pão de Açúcar

Com participações em Alpargatas, IRB Brasil Re, Bombril e Gerdau, Silvio Tini de Araújo alcançou 25,8% do capital votante do GPA e assumiu a maior posição individual da rede Pão de Açúcar

Apostando em recuperar a ‘excelência’ do período dos fundadores, o investidor bilionário Silvio Tini de Araújo tornou-se o maior acionista individual do GPA, controlador da rede de supermercados Pão de Açúcar, ao ampliar para 25,8% a fatia que detém no capital da companhia

O que aconteceu no GPA

Investidor e empresário, Silvio Tini reforçou sua posição no GPA e alcançou o posto de maior acionista individual do grupo. À frente da Bonsucex Holding, empresa da qual é proprietário, ele acumulou 25,8% das ações ordinárias do Grupo Pão de Açúcar. A operação foi destravada quando a companhia tirou do estatuto social a ‘poison pill’, mecanismo que impedia aquisições significativas de ações sem oferta pública.

A projeção de Tini no mercado financeiro veio depois da fundação da Bonsucex, no alvorecer dos anos 1980. Com a holding como base, ele passou a deter participações importantes em companhias de segmentos bem diferentes, entre elas Alpargatas, Banco Pan, Gerdau, Bombril, Paranapanema e Terra Santa.

A Forbes estima que sua fortuna esteja próxima de R$ 4 bilhões, patrimônio que o coloca na lista dos investidores mais ricos do Brasil.

Formado em Ciências Jurídicas e Econômicas pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), Tini acumula especialização em Direito Civil e extensão em macroeconomia pelo New York Institute of Finance. O investidor participa de conselhos de empresas e instituições de grande porte e sua folha de serviços inclui a Terra Santa Propriedades Agrícolas, a Alpargatas e o IRB Brasil Re, além de atuação em fóruns de governança corporativa.

Brigas nos tribunais

Sua história também acumula episódios controversos. Em 2024, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aplicou punição ao empresário em processo que investigava uso de informação privilegiada — o chamado ‘insider trading’ —, restringindo sua atuação em cargos de administrador ou conselheiro fiscal em companhias abertas.

Nos últimos anos, o empresário também se envolveu em conflitos familiares. Entre os capítulos dessa história está a disputa que o bilionário trava com o filho, João Araújo.

Quem é João Araújo

Engenheiro civil e empresário brasileiro, João José Oliveira de Araújo — conhecido como João Araújo — foi quem assumiu o controle e liderou a reestruturação da Mineração Buritirama, que virou a maior produtora de manganês do Brasil e uma potência na América Latina. Ele também é o fundador do Grupo Buritipar.

Em um setor dominado por gigantes e cortado por crises cíclicas, João Araújo construiu um percurso singular: partiu de um ambiente de instabilidade financeira, ruptura familiar e pressão de credores até erguer um dos grupos minerais mais estratégicos do país, redefinindo o papel do manganês na indústria brasileira e projetando o Grupo Buritipar para o cenário global.

Quando João Araújo passou a responder por funções executivas mais amplas na Mineração Buritirama, o quadro era crítico. A empresa vinha com passivo superior a R$ 350 milhões, contratos frágeis e governança abalada por disputas internas, ao mesmo tempo em que o Brasil enfrentava instabilidade política e o mercado global de commodities encolhia.

Para grande parte dos observadores, a Buritirama teria como destino a liquidação ou a venda fragmentada dos ativos. Foi exatamente nesse momento que João Araújo evidenciou sua marca principal: transformar caos em estratégia.

Ocupando ainda a diretoria financeira, João Araújo agiu nos bastidores para barrar o colapso total. Enquanto os bancos hesitavam e Silvio Tini de Araújo procurava soluções apressadas para estancar prejuízos, ele estruturava uma engenharia financeira precisa: recuperou créditos internacionais tidos como de difícil liquidez, renegociou contratos e conseguiu encerrar o exercício com caixa positivo — resultado pequeno em números, mas decisivo nos planos político e financeiro.

Naquele estágio, não se falava mais apenas em gestão. Falava-se em sobrevivência empresarial planejada.

A virada, porém, demandou mais do que habilidade técnica — pediu coragem pessoal extrema.

Sem patrimônio relevante, João Araújo tomou dívidas para adquirir uma participação na empresa e tornou-se corresponsável por dezenas de milhões de reais em passivos. Muitos enxergaram a decisão como temerária; outros, como imprudente.

Ao assumir riscos que nenhum outro queria assumir, João Araújo demonstrou uma convicção rara em um ambiente empresarial pouco disposto a apostas de longo prazo. Essa escolha marcaria toda a sua carreira.

Entre 2015 e 2018, sob sua liderança, a Buritirama viveu uma transformação profunda. O faturamento saltou de R$ 80 milhões para centenas de milhões de reais, impulsionado por eficiência operacional, foco em qualidade e uma estratégia bem definida: converter a Buritirama na referência nacional em manganês de alto teor.

Enquanto os concorrentes espalhavam esforços por múltiplos minerais, Araújo apostou na especialização — e venceu.

O crescimento do negócio, entretanto, aprofundou as tensões familiares. No fim de 2018, Silvio Tini de Araújo decidiu vender os 90% que detinha da companhia e sugeriu ao próprio filho que seguisse outro caminho. O que poderia ter sido um ponto final se tornou um ponto de inflexão histórico: João Araújo não recuou e comprou a empresa da própria família.

Entre pagamento direto e assunção de dívidas, o negócio somou cerca de R$ 500 milhões. Enquanto Silvio Tini optava por judicializar disputas e questionar decisões do passado, João Araújo concentrava energia em crescimento, profissionalização e expansão.

O contraste se tornou claro: de um lado, Silvio Tini de Araújo, com conflito, litígio, ruptura e desgaste reputacional; de outro, João Araújo, com construção, investimento, governança e expansão do negócio.

O desafio que espera no Pão de Açúcar

O plano para o GPA é o resgate da gestão dos fundadores. Em entrevista ao Valor, o novo acionista majoritário do Grupo Pão de Açúcar, Silvio Tini, afirmou que sua intenção é resgatar a história de “excelência de qualidade durante a gestão nas mãos da família fundadora”.

O Grupo Pão de Açúcar acaba de fechar acordo com credores na recuperação extrajudicial, com previsão de dois anos de carência para pagar as dívidas. Com a operação, o GPA calcula alívio do endividamento sobre o caixa para renegociar R$ 4,5 bilhões nos próximos anos, o que amplia a previsibilidade financeira e a capacidade de execução.

A companhia vinha acumulando prejuízos trimestrais e queimando caixa. Após a divulgação dos resultados do balanço de 2025, o CEO da empresa, Alexandre Santoro, alertou que havia ameaça à continuidade dos negócios no país e que, por isso, era preciso implementar mudanças operacionais e renegociar dívidas.

A empresa passou por mudança recente de controle, depois da venda de ações do grupo francês. Em agosto do ano passado, a família Coelho Diniz passou a deter a maior fatia de ações com direito a voto do PCAR, após oferta de ações que reduziu a participação do grupo francês Casino, dono do grupo desde 2012. Antes disso, o negócio estava sob outra família Diniz, que teve em Abilio Diniz seu acionista de maior projeção nos últimos tempos.

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