Humilhações, ameaças, controle, isolamento, chantagem emocional e desvalorização fazem parte das diversas formas de violência psicológica que podem afetar a saúde de uma mulher. Ainda que não deixem marcas visíveis, essas situações são capazes de provocar sofrimento intenso e, com o tempo, comprometer também o funcionamento físico do organismo.
Durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização sobre o enfrentamento da violência contra a mulher, a psicóloga da Hapvida, Dulciana de Souza Lima, chama atenção para um aspecto pouco discutido: as consequências do abuso emocional para o cérebro e o corpo.
Ela pontua que a ausência de hematomas ou ferimentos não indica ausência de sofrimento ou de sequelas — a violência psicológica pode, aos poucos, corroer a sensação de segurança, a autoestima e a forma como a mulher enxerga a si mesma.
Quando o medo e a tensão se tornam frequentes, o organismo passa a reagir repetidamente a estímulos interpretados como ameaça, mantendo um estado de alerta que pode interferir na atenção, na memória, na concentração e na regulação emocional.
Segundo a especialista, uma mulher submetida a um ambiente abusivo pode apresentar esquecimentos, fadiga mental, dificuldade para se concentrar, sensação de confusão e maior dificuldade para tomar decisões. Ela explica que a mente tende a permanecer focada em identificar e reagir a ameaças, enquanto processos ligados à atenção, memória, planejamento, avaliação de alternativas e controle emocional acabam comprometidos.
As sequelas vão além do campo emocional. Dores de cabeça, tensão muscular, alterações no funcionamento gastrointestinal, cansaço e dificuldades para dormir também podem surgir em razão do estresse prolongado. A ansiedade e as crises de pânico seguem essa mesma dinâmica, já que a sensação persistente de perigo mantém o sistema de alerta do corpo constantemente ativado.
A maneira como a dor é sentida também pode mudar. A psicóloga explica que a exposição prolongada ao estresse pode tornar o sistema nervoso mais sensível a estímulos dolorosos, razão pela qual sintomas físicos que persistem precisam ser avaliados, sem serem atribuídos automaticamente a fatores apenas emocionais.
Outro ponto de destaque é a dificuldade que muitas mulheres enfrentam para reconhecer o abuso ou deixar o relacionamento. De acordo com Dulciana, momentos de agressão costumam se intercalar com gestos de carinho, pedidos de desculpas e promessas de mudança, o que pode sustentar a expectativa de que o parceiro vai se comportar de forma diferente.
Esse quadro tende a se agravar diante do sentimento de culpa e da sensação de que não há alternativas. A psicóloga reforça que essa dificuldade não reflete falta de força ou de vontade, mas é resultado de um processo psicológico complexo, que envolve pensamentos, emoções e comportamentos.
Quando o sofrimento passa a interferir na rotina, nos relacionamentos, no sono ou na capacidade de decidir, é recomendado buscar apoio profissional, que pode incluir psicólogos, psiquiatras e outras especialidades, de acordo com a necessidade de cada pessoa.
Familiares e amigos também podem notar sinais como isolamento, mudanças de comportamento, medo excessivo, baixa autoestima e necessidade constante de aprovação ou permissão do parceiro.
Nesses casos, a orientação é oferecer escuta e acolhimento, sem pressionar a mulher a tomar decisões para as quais ainda não esteja preparada. Perguntas como “por que você não termina?” podem intensificar a culpa e dificultar a busca por ajuda. Já demonstrar disponibilidade e reforçar que ela não tem culpa pela violência sofrida pode favorecer a construção de uma rede de apoio.
A psicóloga cita frases como “estou aqui para você, a culpa não é sua e você não está sozinha” como exemplos que podem fortalecer a confiança e facilitar a busca por ajuda.
Para Dulciana, entender os efeitos desse tipo de abuso também amplia a compreensão sobre a violência contra a mulher. Ela conclui que a violência psicológica é uma questão de saúde, e não apenas um problema de relacionamento, já que, mesmo sem deixar marcas visíveis, seus impactos sobre a saúde mental e física podem ser profundos.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de história, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina, reunindo mais de 75 mil colaboradores e atendendo cerca de 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia em todas as regiões do país.
Toda essa estrutura foi construída com foco no cuidado completo, somando mais de 800 unidades pelo Brasil, entre hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico, laboratórios de coleta e espaços voltados ao cuidado preventivo e crônico — a rede conta com 84 hospitais próprios.
Essa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta em uma empresa que reúne recursos humanos e tecnológicos capazes de atender bem seus clientes.







