O São Paulo Futebol Clube se vê no centro de uma crise após a assinatura de um contrato que pode superar R$ 21 milhões, envolvendo uma empresa ligada a aliados do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos. O episódio acende o alerta sobre a influência de círculos políticos dentro do futebol paulista.
A Milclean Serviços, fundada em 1998 por Reinaldo e atualmente registrada em nome de Otávio Alves Corrêa Filho — sócio histórico e próximo do dirigente —, receberá cerca de R$ 570 mil por mês até 2027. Apesar de Reinaldo ter deixado formalmente o quadro societário em 2021, fontes do setor afirmam que sua presença sobre a empresa ainda é sentida nos bastidores.
Especialistas em governança e dirigentes do clube veem o episódio como um reflexo de um padrão antigo: sob o comando de Reinaldo, a FPF se consolidaria como um polo de poder capaz de abrir espaço para empresas de seu círculo em contratos com clubes do Estado.
No Morumbi, dirigentes e conselheiros demonstram insatisfação. Segundo eles, aliados do presidente da FPF conquistam contratos vultosos enquanto mecanismos de controle internos falham em separar interesses privados da gestão esportiva.
Documentos internos indicam ainda que, em alguns períodos, a Milclean teria disponibilizado menos funcionários do que o contratado. Caso se confirme, o clube teria pago integralmente por serviços parcialmente prestados, ampliando questionamentos sobre transparência e eficiência do acordo.
Em nota, o São Paulo afirma que a empresa foi escolhida por meio de concorrência formal. A FPF, por sua vez, sustenta que Reinaldo não mantém vínculos com a Milclean desde 2021. Nos bastidores, porém, a percepção é de que a ruptura foi apenas documental, e a influência do dirigente continua atuando via aliados.
O descontentamento também chega aos torcedores. Um dirigente resumiu o sentimento de conselheiros e apoiadores:
“O torcedor do São Paulo não pode mais aceitar isso. Ele paga ingresso, compra camisa, lota o Morumbi, apoia o time em todos os momentos e vê o clube ser usado como peça dentro de um jogo de interesses que não tem nada a ver com futebol.”
Acima de tudo, o episódio denuncia um modelo de influência em que a FPF, encarregada de zelar pela ética esportiva, se mistura a interesses privados, comprometendo a transparência e a imagem do clube, um dos maiores do Brasil.






