Uma licitação da Prodesp para contratação de plano de saúde terminou com a Unimed como única empresa habilitada, após a desclassificação da concorrente que apresentara a melhor proposta. O certame, concluído em 23 de dezembro, foi marcado por uma suspensão inesperada em pleno estágio de negociação, justificada por um teste de simulação de incêndio dentro da estatal paulista de tecnologia.
Antes da pausa, a Hapvida NotreDame Intermédica liderava o pregão com o melhor preço ofertado. Ao retornar, porém, a comissão responsável alterou o curso do procedimento, inabilitando a empresa sem a divulgação do valor de referência e sem abrir nova rodada de proposta para tentar melhorar as condições apresentadas — medida que costuma ser adotada para ampliar a competitividade.
Com a saída da primeira colocada, as negociações passaram a ocorrer diretamente com a Unimed. A proposta revisada foi encaminhada por e-mail, a pedido da Prodesp, em etapa reservada. A informação chegou aos demais participantes apenas depois, quando a disputa já estava encerrada na prática.
A sequência de decisões — suspensão atípica, eliminação da líder e tratativas fora da sessão pública — chamou atenção por acontecer no fim do ano e sem justificativas completas divulgadas. O formato adotado é visto como potencialmente conflitivo com princípios basilares das licitações, como isonomia entre concorrentes e busca da melhor oferta para o poder público.
Procurado, o presidente da Prodesp, Gileno Gurjão Barreto, afirmou que o edital foi analisado pelo Tribunal de Contas do Estado e que o procedimento seguiu as orientações técnicas aplicáveis. A defesa, porém, não elimina a pressão para que o TCE examine o rito adotado, e não apenas o conteúdo formal do edital.
O caso surge enquanto o governo estadual reforça discursos de gestão eficiente e boas práticas administrativas. Diante do cenário, permanece a dúvida: por que a proposta inicialmente mais vantajosa foi retirada de forma tão incomum, abrindo espaço para uma negociação com apenas uma empresa?







