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Criança que adoece com frequência precisa sempre investigar a imunidade?

Resfriados e viroses fazem parte da infância, mas infecções graves, persistentes ou acompanhadas de outros sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada

by Marina Roveda
agosto 27, 2026
in Saúde
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Criança que adoece com frequência precisa sempre investigar a imunidade?

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Quem tem criança pequena em casa provavelmente já se acostumou com a sequência de coriza, tosse, febre e consultas ao pediatra. Nos primeiros anos de vida, episódios de infecção respiratória são frequentes e tendem a aumentar quando os pequenos começam a frequentar creches e escolas.

O contato próximo com outras crianças amplia a exposição a vírus e bactérias e pode fazer com que uma infecção termine justamente quando outra começa. Apesar da aparência de que a criança está constantemente doente, esse cenário nem sempre significa que o sistema imunológico esteja funcionando de maneira inadequada.

De acordo com a pediatra da Hapvida Gorete Garcia, é importante analisar o quadro como um todo. A quantidade de vezes que a criança fica doente é apenas um dos fatores considerados pelo médico.

“É muito comum os pais chegarem ao consultório preocupados porque a criança parece estar sempre resfriada. Muitas vezes, o que acontece é uma sequência de infecções virais diferentes. A frequência é aumentada principalmente após a criança começar a frequentar a escola. É preciso observar não apenas quantas vezes a criança adoece, mas a intensidade das infecções, como ela se recupera e como está seu crescimento e desenvolvimento”, explica.

Escola aumenta exposição a vírus

A entrada na creche ou na escola representa uma mudança importante na rotina infantil. Além de permanecer durante várias horas em ambientes compartilhados, a criança passa a ter contato constante com colegas, objetos e diferentes microrganismos.

Esse aumento da exposição faz parte do processo de desenvolvimento da resposta imunológica. Nos primeiros anos de vida, o organismo ainda está construindo memória contra diversos agentes infecciosos.

Por isso, uma sucessão de resfriados não deve ser interpretada automaticamente como sinal de baixa imunidade. Uma criança pode apresentar várias infecções ao longo do ano e, ainda assim, estar saudável, principalmente quando se recupera normalmente e mantém crescimento e desenvolvimento adequados.

Gravidade das infecções é um dos principais sinais de alerta

Mais importante do que simplesmente contabilizar quantas vezes a criança ficou doente é observar o comportamento dessas infecções.

Quadros muito graves, prolongados, difíceis de tratar ou provocados por agentes incomuns merecem maior atenção. Entre os sinais que podem levar o pediatra a investigar possíveis alterações imunológicas estão pneumonias recorrentes, infecções frequentes de ouvido ou dos seios da face, necessidade repetida ou prolongada de antibióticos, internações recorrentes e doenças que não respondem ao tratamento esperado.

Também são considerados importantes a dificuldade para ganhar peso ou crescer adequadamente e a existência de histórico familiar de imunodeficiência.

“Quando temos uma criança que apresenta infecções de maior gravidade, precisa ser internada repetidamente, demora muito para responder ao tratamento ou não apresenta crescimento adequado, precisamos olhar para esse quadro de forma diferente. Nesses casos, o pediatra avalia o histórico e pode indicar exames ou encaminhamento para um especialista”, afirma Gorete.

Nem toda criança precisa fazer exames de imunidade

Uma criança que apresenta vários resfriados, mas cresce normalmente, recupera-se bem entre as doenças e não apresenta infecções graves geralmente não precisa passar por uma investigação imunológica extensa.

A necessidade de exames é definida a partir do histórico clínico e das características dos episódios. O pediatra considera a frequência das infecções, a gravidade, a resposta aos tratamentos e a presença de outros sinais antes de decidir pela investigação.

“O exame não deve ser pedido apenas porque a criança teve várias viroses. Primeiro precisamos entender o contexto. Se existem sinais de alerta, aí sim podemos iniciar uma investigação e, quando necessário, encaminhar para um imunologista pediátrico”, reforça a médica.

Alimentação ajuda, mas não existe alimento milagroso

A preocupação com a imunidade também leva muitas famílias a buscar alimentos, vitaminas e suplementos que prometem evitar doenças. No entanto, não existe um alimento específico capaz de aumentar a imunidade de forma imediata.

Uma alimentação variada e equilibrada é importante para fornecer os nutrientes necessários ao desenvolvimento infantil e ao funcionamento adequado do organismo. Frutas, verduras, legumes, grãos e fontes de proteínas devem fazer parte de uma rotina alimentar adequada à idade.

O uso de vitaminas e suplementos também exige orientação profissional. A suplementação sem necessidade não substitui uma alimentação equilibrada e não significa, por si só, que a criança ficará mais protegida contra infecções.

“Suplementar sem necessidade não significa deixar a criança mais protegida. Vitaminas devem ser indicadas de acordo com a idade, a alimentação e as necessidades identificadas pelo profissional que acompanha aquela criança”, orienta Gorete.

Vacinação e rotina saudável são fundamentais

A prevenção continua sendo uma das principais formas de reduzir o risco de doenças infecciosas e suas complicações. Manter a carteira de vacinação atualizada, lavar as mãos com frequência e ensinar hábitos adequados ao tossir ou espirrar são medidas simples que ajudam a diminuir a transmissão de vírus respiratórios.

Sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física compatível com a idade também contribuem para a saúde infantil.

Para a pediatra, o objetivo não deve ser impedir que a criança tenha qualquer infecção, mas acompanhar sua evolução e identificar quando os episódios deixam de seguir o padrão esperado.

“Ficar doente algumas vezes faz parte da infância e não significa necessariamente que exista um problema de imunidade. O alerta aparece quando as infecções fogem do padrão esperado, seja pela gravidade, pela dificuldade de tratamento ou por outros sinais associados”, afirma.

Assim, diante da impressão de que uma criança “vive gripada”, o número de episódios não conta toda a história. A maneira como ela adoece, o tempo de recuperação, o crescimento e a resposta aos tratamentos são informações essenciais para determinar se o quadro faz parte da infância ou se precisa de uma investigação médica mais aprofundada.

Tags: HAPVIDA
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Marina Roveda

Marina Roveda

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