
Maria Clara Campanini Publicado em 26/09/2024, às 16:34
Uma empresária se deparou com uma cena incomum enquanto caminhava pela Praia da Aviação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Centenas de lepas (Lepas anserifera), crustáceos pertencentes à mesma família das cracas, estavam fixadas em um pedaço de madeira à beira-mar. Este achado é notável, dado que essa espécie não é comum na Baixada Santista, conforme esclareceu um biólogo consultado pelo g1.
Sheyla Carrenho, responsável pelas imagens que capturaram o fenômeno, estava na praia por volta das 9h da manhã da última terça-feira (24) quando observou os crustáceos perto da água. “Eu já havia visto lepas antes, mas nunca em tal quantidade. Eram muitas”, relatou Sheyla. Após registrar o encontro em vídeo, ela tentou devolver o tronco ao mar, mas a força das ondas trouxe-o de volta à praia.
Características das Lepas
Alex Ribeiro, biólogo marinho, explicou que as lepas são crustáceos filtradores que vivem em objetos flutuantes como troncos e pedaços de madeira. A maré pode transportar esses objetos até a costa. “Esses animais se fixam em elementos flutuantes e são levados pela maré. Por isso, geralmente os encontramos quando algo flutuante é trazido do mar para a praia”, afirmou Ribeiro.
Anatomia e Alimentação
As lepas possuem um corpo mole denominado pedúnculo, que se fixa ao substrato. A parte visível nas imagens consiste em duas metades de uma concha esbranquiçada. “Elas estendem uma estrutura semelhante a um guarda-chuva, chamada círrus, para capturar minúsculas partículas de alimento suspensas na água”, detalhou o biólogo.
Considerações sobre o Consumo
Embora as lepas sejam filtradores eficazes, acumulando metais pesados e substâncias potencialmente nocivas presentes na água, o consumo dessa espécie não é recomendado. Alex Ribeiro enfatizou a raridade dessas criaturas na Baixada Santista e sugeriu que elas podem ter sido transportadas de locais distantes ou até mesmo de outros oceanos.
O encontro com essas lepas na Praia da Aviação ressalta a diversidade e a imprevisibilidade do ecossistema marinho local, convidando a população a observar e respeitar as peculiaridades da vida marítima.





