Fundada nos anos 1980 por Ricardo Valadares Gontijo e hoje gerida por seu filho, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, a Direcional Engenharia transformou-se em uma das maiores operadoras de habitação popular no Brasil. No entanto, o rápido crescimento da companhia, impulsionado por verbas públicas do programa Minha Casa, Minha Vida e em parceria com a Caixa Econômica Federal, trouxe consigo uma série de questionamentos judiciais e institucionais sobre a qualidade de seus serviços e suas relações políticas.
O peso do Minha Casa, Minha Vida e o fantasma dos vícios de construção A engrenagem que projeta a Direcional no mercado é o subsídio público, modelo defendido pela gestão como uma solução de escala para o déficit habitacional, mas visto com ressalvas por analistas devido à dependência de verbas estatais. Na ponta final dessa linha de produção, multiplicam-se queixas de moradores sobre problemas estruturais graves após a entrega das chaves, como rachaduras e infiltrações. Laudos periciais na Justiça já atestaram falhas de execução das obras em diversos processos cíveis e trabalhistas que correm contra a empresa.
Ofensivas do Ministério Público e o episódio do avião A atuação da construtora é alvo constante do Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou ações civis públicas sobre as condições de habitabilidade de residenciais no Acre, Goiás e Amazonas. Em sua defesa, a Direcional esclarece que as demandas estão sendo sanadas: em Manaus, um acordo com a Defensoria Pública do Amazonas rege os reparos; em Goiás, a ação está suspensa pelo TRF-1 por não comprometer a segurança das obras; e pendências com o Ministério Público do Trabalho foram solucionadas em acordo de 2019.
Outro ponto ruidoso envolve o uso de um avião do fundador por agentes públicos em São José do Rio Preto em 2013. Investigada por suposta vantagem indevida, a suspeita foi arquivada pela Justiça em 2018 por falta de provas, com a ação de improbidade julgada totalmente improcedente. Mais recentemente, a construtora figurou como suposta vítima de extorsão por milícias no Rio de Janeiro, em inquérito ainda sem conclusão. Para os órgãos de controle, a Direcional permanece sob constante vigilância sobre onde termina o interesse público e começa o privado.







