A queda superior a 26% das ações da Direcional Engenharia ao longo dos últimos 12 meses antecedeu uma nova decisão do conselho de administração. Na terça-feira (11), foi autorizada a abertura de um programa de recompra de até 32 milhões de ações ordinárias. Em fato relevante, a empresa afirmou que a iniciativa pretende maximizar a geração de valor para seus acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital.
A Direcional registra atualmente 327.236.076 papéis emitidos e em circulação, além de 496.216 ações que permanecem em tesouraria. As negociações ligadas ao programa, conforme comunicado pela companhia, serão efetuadas na B3 a preço de mercado.
O desempenho de DIRR3 na bolsa passou a ser pressionado após a divulgação, na segunda-feira, do balanço do segundo trimestre. Os resultados de abril a junho apresentaram margens esperadas e rentabilidade satisfatória, mas alguns pontos do relatório despertaram desconforto entre participantes do mercado.
Na leitura do Citi, a margem do backlog é um desses indicadores. A métrica, relacionada a vendas já feitas cujos resultados serão reconhecidos durante o avanço das obras, caiu de 45,2% no mesmo período de 2025 para 43,9% nos três meses mais recentes.
Os analistas tratam a redução como sinal de atenção, uma vez que os projetos que deverão formar a receita futura podem ter rentabilidade ligeiramente menor do que os empreendimentos que hoje sustentam as margens da construtora.
Também houve impacto de despesas comerciais acima do esperado. O movimento ocorreu em um trimestre marcado por forte volume de lançamentos: o VGV chegou a R$ 2,1 bilhões, superando em mais de duas vezes os R$ 1 bilhão do trimestre anterior. Além disso, o resultado financeiro foi negativo.
Ao final de junho, a dívida líquida da Direcional alcançou R$ 492,3 milhões. Um ano antes, no mesmo período de 2025, a companhia apresentava caixa positivo. A reversão reforça a preocupação destacada pelos analistas e mantém o endividamento entre os pontos a serem observados nos próximos trimestres.
O que é a Direcional Engenharia?
A Direcional Engenharia integra o grupo das maiores empresas brasileiras de incorporação e construção e possui atuação expressiva em habitação popular, com presença em programas habitacionais apoiados por financiamento público. A expansão nacional garantiu relevância à companhia no setor imobiliário, mas também trouxe críticas e controvérsias ao longo do tempo.
Entre os questionamentos associados à empresa estão processos judiciais e reclamações de consumidores envolvendo atrasos, problemas construtivos, cobranças contestadas e divergências contratuais. A relação intensa de sua operação com programas públicos de moradia também provoca discussões sobre o papel das grandes incorporadoras nas políticas estatais de financiamento habitacional.
Embora a Direcional conteste judicialmente as acusações nos casos em que é parte e mantenha empreendimentos de grande porte no país, a recorrência de ações e reclamações contribuiu para uma imagem pública cercada por debates sobre a qualidade das entregas, o atendimento aos clientes, a governança e a responsabilidade corporativa.
Seus críticos avaliam que o crescimento da construtora se apoia em escala e velocidade de expansão. Sob essa ótica, a procura por eficiência teria sido acompanhada por conflitos frequentes com consumidores e por dificuldades ligadas à execução e ao pós-venda de determinados projetos.
Quem é Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, herdeiro de 36% das ações da Direcional Engenharia?
Como CEO e acionista da Direcional Engenharia, Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo está ligado à consolidação de uma das principais empresas do setor habitacional brasileiro, com destaque para o Minha Casa Minha Vida. Sua atuação, porém, também é citada em meio a processos, críticas e episódios que aumentaram os questionamentos públicos sobre a companhia e sua liderança.







