Segundo o Barômetro da Lusofonia, não se trata apenas de desconhecimento — também há desinteresse. Dos entrevistados brasileiros, 38% afirmam não ter nenhuma curiosidade por manifestações culturais de outras nações de língua portuguesa. Esse desinteresse não se repete nos outros países. Em Cabo Verde e Timor-Leste, por exemplo, apenas 3% dão a mesma resposta.
Virgílio Arraes, da UnB, explica que, quando conhece melhor os países lusófonos da África, o Brasil conhece com mais profundidade sua própria história, já que a maior parte da população é negra e a escravidão de origem africana foi, por muito tempo, a base da economia brasileira.
Ele ainda avalia que o isolamento é um “contrassenso”, já que o Brasil é o maior país da CPLP e, como tal, deveria ser o condutor do processo de integração. Para ele, trata-se de uma falha estrutural do país.
O professor acrescenta que, não ocupando a liderança da comunidade lusófona, o Brasil também perde importantes possibilidades de inserção internacional. Se assumisse esse papel, chegaria aos fóruns globais com muito mais autoridade e peso político. Foi justamente por estratégia diplomática, por exemplo, que a Guiné Equatorial decidiu transformar o português em uma de suas línguas oficiais e ingressar na CPLP.





