É nesse ponto que as demandas regionais passam a ter peso político. Uma pauta pode ter apelo mais forte em uma determinada região e, com isso, ampliar ou reduzir a votação de um candidato naquele local. Os presidenciáveis precisam formar uma maioria nacional, mas podem chegar a ela por diferentes combinações de estados e regiões.
A mudança na participação relativa do eleitorado, portanto, ainda não altera quais áreas concentram mais votos, mas pode influenciar onde cada candidatura buscará apoio e quais temas receberão maior atenção.
O consultor legislativo Caetano Araújo, do Núcleo de Direito do Estado do Senado, defende que a busca por votos em uma disputa presidencial exige presença nacional equilibrada, mesmo que a intensidade da campanha varie entre estados.
— Não é plausível que os candidatos competitivos venham a optar pela estratégia da concentração em determinados estados ou regiões. Essa estratégia, contudo, pode vir a ser racional para candidatos que, cientes da derrota futura nas urnas, pretendam apenas o fortalecimento eleitoral de seu nome ou da sua sigla em determinadas unidades da Federação.
A escolha do presidente também repercute diretamente nas políticas que chegam aos estados e municípios. Além de definir prioridades do governo federal, o chefe do Executivo elabora e envia ao Congresso o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), que estabelecem os recursos destinados a áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e assistência social. As decisões presidenciais também afetam transferências da União e programas que dependem da cooperação entre os três níveis de governo, como SUS, Fundeb, Bolsa Família e iniciativas de segurança pública.





