Uma das escolas mais recentes é a da Câmara Municipal de Currais Novos, cidade do Rio Grande do Norte com 43 mil habitantes. Foi inaugurada em abril de 2025.
O diretor da escola, Fernando Café, conta que um dos maiores riscos de uma escola de governo, em especial nos municípios de pequeno e médio porte, é ser fechada de uma hora para outra, como na troca de legislatura. Por essa razão, ele diz, uma medida foi tomada para que isso não ocorresse em Currais Novos:
— Chegamos a pensar em criar a escola por meio de uma resolução da Câmara Municipal, mas concluímos que seria melhor por lei. Ela assegura um orçamento próprio para o custeio das atividades e a criação de cargos específicos para o seu funcionamento, garantindo que a escola será perene, e não uma ação isolada de uma gestão. Seria muito ruim para o município ver a escola desmoronar por uma decisão política que cortasse as verbas ou exonerasse os funcionários.
Outro desafio foi a obtenção de uma sede própria. No início, as aulas e palestras eram dadas no auditório da Câmara Municipal, que nem sempre estava disponível devido a eventos dos vereadores ou reuniões com a sociedade. Recentemente, a escola enfim ganhou sua sede, um casarão histórico no centro de Currais Novos, com salas de aula e biblioteca.
Segundo Café, a principal missão da escola é “desencaixotar” a Câmara Municipal:
— O Poder Legislativo, até mesmo o municipal, costuma ser visto como distante, marcado por brigas e conflitos, e muita gente não sabe o que é de fato. Houve uma cena marcante no nosso programa Escola Cidadã, voltado para escolas públicas: uma criança do quinto ano se sentou na mesa do presidente da Câmara e disse que queria ocupar aquele cargo no futuro, algo que antes nem passava por sua cabeça. Para mim, essa cena simboliza o “desencaixotar”: o Parlamento sair do seu castelo para se conectar com o povo.
Os cursos destinados à capacitação interna da Câmara Municipal de Currais Novos revelam necessidades comuns nos pequenos parlamentos municipais. Para os vereadores, há oficinas de oratória. Para os servidores, aulas de softwares como Word (processador de textos) e Excel (editor de planilhas) e noções de inteligência artificial.






