Expectativas e choques
O acordo revela uma assimetria profunda entre as economias. É o que aponta Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
— Há diferenças estruturais importantes entre as economias, especialmente no nível de desenvolvimento industrial e tecnológico.
Essa diferença de perfis produtivos reflete de forma desigual entre os setores, com impactos distintos para cada segmento da economia.
Visão da indústria
Negri observa que a indústria brasileira recebe o acordo com euforia e o vê como uma oportunidade única de modernização. O acesso a tecnologias, máquinas e insumos europeus mais baratos deve aumentar a produtividade nacional e permitir que empresas brasileiras disputem licitações governamentais na Europa.
— Embora haja maior entusiasmo em alguns setores, o acordo é visto pela indústria como positivo, especialmente pela abertura de mercado e pelas novas oportunidades de inserção internacional.
Risco de desindustrialização
Por outro lado, a professora Regiane Bressan alerta para o risco de o Brasil se consolidar apenas como um fornecedor de commodities caso não adote políticas industriais agressivas.
— Se a indústria brasileira não se modernizar rapidamente e ganhar eficiência, ela pode ser atropelada pela competitividade europeia antes mesmo de aprender a competir.
Setores sensíveis
Tarciso Dal Maso sugere que mesmo setores considerados vulneráveis ao novo acordo, como vinhos e derivados de leite, podem se beneficiar do intercâmbio para a obtenção de acessórios como garrafas e rolhas. Em contrapartida, o agronegócio dedicado a café e frutas terá ganhos imediatos com a zeragem de tarifas.
— Há dificuldade de competir em alguns segmentos, mas a importação de insumos mais baratos pode reduzir o preço final dos produtos.





