O deputado Fernando Ferrari (PTB-RS) foi um dos defensores do projeto.
— A posição do Brasil sempre foi gizada pela arbitragem e pelo pacifismo. Sempre interviemos para aplainar dificuldades e realçar o primado da justiça e do direito. O Brasil, fiel ao seu passado glorioso, nunca deixaria de estender uma mão de paz e compreensão ao mundo atribulado pela guerra
Também favorável à criação do Batalhão Suez, o deputado Padre Ponciano dos Santos (PRP-ES) disse que a ONU só conseguiria agir se contasse com tropas dos países-membros.
— Quando se trata de uma organização que não tem por finalidade guerrear, mas garantir a paz dos povos, precisa naturalmente do seu policiamento, porque sabemos que, onde está a balança, precisa estar a espada também. Essa expressão simbólica de 500 soldados representará o apoio moral da nação brasileira aos princípios do direito internacional.
O contingente enviado pelo Brasil ganhou o apelido de Batalhão Suez porque o episódio que deu origem àquela guerra árabe-israelense foi a nacionalização do Canal de Suez, em 26 de julho de 1956, determinada pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser.
O canal é uma hidrovia artificial estratégica localizada em território egípcio que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, encurtando drasticamente a navegação entre a Europa e a Ásia. Entre os produtos transportados por Suez, o mais estratégico era — e ainda é — o petróleo extraído no Oriente Médio.
Na época, o canal era controlado, em sociedade, pela França e pela Grã-Bretanha. Com a nacionalização, Nasser desejava direcionar a renda proveniente da operação do canal para a construção da Represa de Assuã, no sul do país, a geração de energia hidrelétrica e a expansão da agricultura por meio da irrigação.
Expulsas do controle do canal, França e Grã-Bretanha se juntaram a Israel numa ofensiva militar contra o Egito, vizinho dos israelenses. Israel havia sido criado apenas oito anos antes e enfrentava a hostilidade dos países árabes.
Assim que a Guerra de Suez eclodiu, o senador Kerginaldo Cavalcanti (PSP-RN) saiu em defesa do Egito:
— No que se refere a qualquer empresa existente em solo egípcio, é incontestável o direto do governo desse país a efetuar a sua nacionalização. Se admitíssemos o contrário, seria o mesmo que, havendo no Brasil a Stantard Oil [empresa petrolífera americana] e outras companhias monopolistas desse jaez, não pudesse o governo brasileiro efetuar a encampação delas, porque a isso se opunha, pela força e pela violência, o governo americano.


