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Automedicação: hábito presente na rotina dos brasileiros pode esconder perigos para a saúde

Pesquisas apontam que a automedicação é um hábito frequente entre os brasileiros; médico alerta para intoxicações, interações medicamentosas e risco de mascarar doenças

by Marina Roveda
agosto 20, 2026
in Saúde
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Automedicação: hábito presente na rotina dos brasileiros pode esconder perigos para a saúde

Foto: Magnific

Tomar um medicamento por conta própria para aliviar uma dor de cabeça, febre, desconforto muscular ou sintomas de gripe ainda é um hábito comum no Brasil. Pesquisas sobre o uso de medicamentos no país mostram que a automedicação está presente na rotina de grande parte da população.

Apesar de muitas vezes ser vista como uma solução rápida para sintomas considerados simples, a prática pode provocar efeitos adversos, intoxicações, interações medicamentosas e ainda mascarar sinais de doenças que precisam de diagnóstico e tratamento adequados. Segundo o médico clínico geral da Hapvida, Arilton Fontenele Lima, a familiaridade com determinados remédios pode criar uma falsa sensação de segurança.

“É muito comum a pessoa pensar que, porque já tomou determinado medicamento antes ou porque ele é facilmente encontrado, não haverá riscos. Mas todo medicamento precisa ser usado com cuidado. Uma dose inadequada, o uso por tempo prolongado ou a combinação com outros remédios pode causar efeitos adversos e até intoxicações”, explica.

Alívio do sintoma pode mascarar a causa

Um dos perigos da automedicação está justamente na melhora aparente. Ao tomar um medicamento para dor ou febre, por exemplo, o sintoma pode desaparecer temporariamente enquanto a condição que o provocou continua evoluindo.

Dor de cabeça recorrente, febre persistente, dores abdominais e outros desconfortos podem estar associados a diferentes problemas de saúde e precisam ser investigados quando persistem ou aparecem com frequência.

“Às vezes, o medicamento consegue aliviar a dor ou baixar a febre, mas isso não significa que a causa do problema tenha sido tratada. Quando um sintoma persiste, piora ou se repete com frequência, é importante procurar atendimento. A automedicação pode mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico conclusivo”, alerta Arilton.

Misturar medicamentos também oferece riscos

Outro comportamento que exige atenção é utilizar diferentes medicamentos simultaneamente sem orientação. Algumas substâncias podem interferir umas nas outras, potencializar efeitos ou aumentar o risco de reações adversas.

O cuidado deve ser ainda maior entre idosos e pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos para condições como hipertensão e diabetes.

“É fundamental informar ao profissional de saúde todos os medicamentos que estão sendo utilizados, inclusive aqueles que a pessoa toma apenas eventualmente. Isso permite avaliar possíveis interações e definir uma conduta mais segura para cada paciente”, orienta o especialista.

Também é preciso ter cautela com indicações feitas por amigos e familiares ou encontradas nas redes sociais. O fato de um medicamento ter funcionado para outra pessoa não significa que ele seja adequado para quem apresenta sintomas semelhantes.

Quando procurar atendimento?

Para Arilton Fontenele Lima, a persistência ou piora dos sintomas é um dos principais sinais de que a avaliação profissional não deve ser adiada. Febre prolongada, dor intensa ou recorrente, falta de ar, desmaios, alterações importantes no estado geral ou sintomas que não apresentam melhora precisam ser investigados.

“Medicamento não deve ser tratado como um produto comum. É preciso saber para que ele é indicado, qual a dose adequada, por quanto tempo pode ser utilizado e quais são suas contraindicações. Buscar orientação profissional é sempre a maneira mais segura de cuidar da saúde”, conclui o clínico geral da Hapvida.

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Marina Roveda

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