Quem depende dos planos de saúde da Geap para atendimento médico tem encontrado, nos últimos meses, uma rede cada vez menor de hospitais disponíveis. Beneficência Portuguesa, São Camilo e Hospital das Clínicas, em São Paulo, estão entre as unidades que deixaram de atender ou restringiram o acesso a esses beneficiários — em grande parte servidores públicos federais, estaduais e municipais.
O problema se repete em outras regiões do país. A associação de usuários A Geap é Nossa afirma reunir relatos de pelo menos dez estados, incluindo casos como o do Hospital UDI e do Inlab Fleury, no Maranhão. No Amazonas, beneficiários dos hospitais Santa Júlia e Adventista foram surpreendidos por suspensões abruptas de atendimento, o que levou o Ministério Público estadual a abrir inquéritos civis em maio.
Por trás da redução da rede está uma disputa financeira entre a operadora e os hospitais. As instituições relatam aumento nas glosas — recusas de pagamento de procedimentos — e atrasos nos repasses, o que teria motivado desde revisões contratuais até rescisões, como no caso da Rede D’Or, que suspendeu atendimentos em 28 unidades por uma dívida superior a R$ 200 milhões.
Para o beneficiário, o resultado prático é a dificuldade de conseguir atendimento em hospitais de referência. Na Beneficência Portuguesa, por exemplo, só continuam sendo atendidos os usuários que migraram para a carteira da Unimed. Já no Hospital das Clínicas, dois contratos distintos foram suspensos ou encerrados por conta de pendências financeiras entre a operadora e as fundações de apoio do hospital.
O aumento da insatisfação aparece nos números: as reclamações no Reclame Aqui saltaram de uma média de 50 a 60 por mês para picos de 666 em maio e 392 em junho. Ao mesmo tempo, o índice de recusas de procedimentos da Geap, segundo a ANS, passou de 5,8% para mais de 14% em seis meses — mais que o dobro da média do setor.
A Geap diz que os ajustes na rede fazem parte de uma estratégia para acompanhar o crescimento acelerado de sua base de beneficiários, que subiu de 270 mil para 420 mil em três anos, e afirma estar ampliando parcerias com Unimed, Hapvida e Amil para compensar a saída de outros prestadores.







