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Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão no Rio

by Redação
fevereiro 1, 2026
in Saúde
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Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão no Rio




O carnaval do Rio é alegria, beleza, criatividade, emoção e diversidade. Mas é também espaço de inclusão. É o que mostram os blocos de saúde mental, que prometem agitar a cidade ocupando diferentes regiões da cidade e reunindo usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade de cada localidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), as agremiações mostram que a maior festa popular do país também é lugar de conscientização e combate a estigmas e preconceitos.

Na avaliação do superintendente de Saúde Mental da secretaria, Hugo Fernandes, a iniciativa reafirma que pessoas em sofrimento psíquico têm direito à cultura e à alegria.

“Os blocos de saúde mental são espaços de expressão, pertencimento e cidadania, fundamentais para uma política de cuidado em liberdade”, apontou.

Os blocos atuam também como espaços de convivência e cuidado, oferecendo durante o ano oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão. 

Essas atividades estimulam a expressão artística dos usuários e ampliam o diálogo com a sociedade sobre inclusão social, respeito às diferenças e cuidado coletivo.

Zona Mental

Mais novo dos blocos da saúde mental, o Zona Mental é uma construção dos usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Criado em 2015, com o objetivo de promover a reintegração social de pacientes atendidos por meio da música, da arte e do carnaval, o Zona Mental realizou seu primeiro desfile somente em 2017. 

Em 2026, o desfile será no próximo dia 6 de fevereiro, concentrando às 16h na Praça Guilherme da Silveira, no Ponto Chic, de onde sairá pelas ruas de Bangu, arrastando foliões.

A musicoterapeuta da equipe do Centro de Atenção Psicossocial Neusa Santos Souza (Caps Neusa Santos) Débora Rezende divide a presidência do bloco com a artista Rogéria Barbosa, usuária desse mesmo caps, e conta que a ideia do bloco é também quebrar preconceitos.

“A gente abre o carnaval da saúde mental. A gente quer ver todos os nossos usuários, familiares, junto com o pessoal dali. Porque a gente passa e, de repente, o bloco cresce. A ideia é essa: todo mundo junto e misturado”.

Débora ressalta que o bloco tem um papel importante por representar a Zona Oeste da cidade, região periférica mais afastada do centro. A agremiação reúne cerca de 14 ou 15 serviços da área da saúde do Rio. 

Além dos usuários, familiares e profissionais dos serviços, participam artistas do samba de escolas como Unidos de Bangu e a Mocidade Independente de Padre Miguel. 

No carnaval 2026, o Zona Mental vai homenagear os nordestinos que moram na Zona Oeste da cidade, e o samba vencedor, de autoria do usuário do CAPs Neusa Santos Marco Antonio Amaral, fala sobre o multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal, nascido em Alagoas e morador da região de Bangu. Pascoal morreu no ano passado, aos 89 anos.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!

Os 25 anos de aprovação da Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial ou Lei da Reforma Psiquiátrica no Brasil, serão comemorados pelo bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou!, coletivo que chega aos 21 anos em 2026.

O desfile está programado para o dia 8 de fevereiro, com concentração às 15h, na Avenida Pasteur, na Urca, na altura da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

O bloco homenageia também o médico psiquiatra italiano Franco Basaglia, que esteve no Brasil em 1979, na companhia da mulher Franca Ongaro Basaglia, e que contribuiu para a reforma psiquiátrica brasileira.

O psicanalista Alexandre Ribeiro, fundador do bloco, conta que ele “talvez tenha sido a maior inspiração para a reforma psiquiátrica no país”.

 


Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! desfila na Urca, zona sul do Rio no domingo de pré-carnaval
Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! desfila na Urca, zona sul do Rio no domingo de pré-carnaval

Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! desfila na Urca, zona sul do Rio no domingo de pré-carnaval – Tomaz Silva/Agência Brasil

O italiano conheceu os horrores do Hospital-Colônia de Barbacena (MG), onde mais de 60 mil pessoas morreram em decorrência de maus-tratos, e chamou o manicômio mineiro de “campo de concentração nazista” e de “carcereiros” os profissionais da saúde mental que aceitavam aquela realidade.

Influenciados pelo movimento da psiquiatria democrática italiana, capitaneado por Basaglia, trabalhadores da saúde mental redigiram o Manifesto de Bauru, em 1987, instituindo o dia 18 de Maio como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e o lema “Por uma sociedade sem manicômios”.

A mobilização popular crescente pelos direitos humanos e pelo cuidado em liberdade resultou na aprovação da Lei 10.216, em 2001.

O bloco será acompanhado pela bateria da Portela e por dois blocos convidados: Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.

Império Colonial

No bloco Império Colonial, o enredo será uma homenagem a Arthur Bispo do Rosário, destacando a trajetória do artista plástico diagnosticado com esquizofrenia, que também foi marinheiro, boxeador e interno da Colônia Juliano Moreira, onde ficou durante quase 50 anos.

O bloco foi fundado em 2009, a partir de ações de cultura, lazer e territorialidade do próprio Museu Bispo do Rosário, que funciona no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM). Em 2012, o bloco passou a ter como sede o Centro de Convivência Pedra Branca (Cecco Pedra Branca).

Diretora do IMASJM, Luciana Cerqueira contou que, pela primeira vez, o bloco vem com alas, o que prova o amadurecimento da própria agremiação. A autoria do enredo é do usuário do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Jovelina Pérola Negra Alex de Repix.

 


30/01/2026 - Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão. Bloco Zona Mental. Bloco Império Colonial.  Foto: Império Colonial/divulgação
30/01/2026 - Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão. Bloco Zona Mental. Bloco Império Colonial.  Foto: Império Colonial/divulgação

Integrantes do Bloco Império Colonial. Foto: Império Colonial/divulgação

O desfile está programado para o dia 10 de fevereiro, concentrando às 14h30 na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da Cidade.

O Império Colonial é um bloco pequeno, integrado por 20 pessoas, entre componentes da bateria, profissionais de saúde mental e usuários.

No ano passado, o bloco não fez carnaval de rua, realizando um baile na Areninha Jacob do Bandolim, na Pechincha, Jacerepaguá, onde reuniu 200 pessoas.

Como o bloco vai desfilar este ano na semana do carnaval, a expectativa é dobrar esse número, juntando moradores locais, usuários da rede e trabalhadores de serviços do entorno.

Loucura Suburbana

Escolhido entre 25 candidatos, o samba Para o povo poder cantar vai embalar o desfile do bloco Loucura Suburbana em 2026. O desfile será no dia 12 de fevereiro e a expectativa é que o público volte a superar 3 mil pessoas.

Mais antigo do grupo, o Loucura Suburbana saiu pelas ruas do Engenho de Dentro, na Zona Norte, pela primeira vez em 2001. Este ano, ele completa 26 anos de atividades. 

A coordenadora-geral da agremiação, psicóloga Ariadne Mendes conta que o desfile deste ano será fruto de uma síntese de ideias. O enredo aprovado acabou sendo: “Baluartes, Território e Loucura”.

“Trouxeram tantos temas que foi difícil escolher somente um. A gente preferiu separar em grupos temáticos as ideias que as pessoas trouxeram”.

 


30/01/2026 - Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão. Bloco Zona Mental. Bloco Loucura Suburbana.  Foto: Loucura Suburbana/ Pâmela Perez
30/01/2026 - Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão. Bloco Zona Mental. Bloco Loucura Suburbana.  Foto: Loucura Suburbana/ Pâmela Perez

Bloco Loucura Suburbana desfila no bairro do Engenho de Dentro Foto: Loucura Suburbana/ Pâmela Perez

Os Baluartes fazem referência a dois músicos que deixaram o bloco e à tradição da agremiação de contribuir para a memória do carnaval do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Já o nome Território faz referências às raízes e ao trabalho na comunidade. “É continuar, se reconstruir, botar os pés na terra e a mão na massa e ir em frente. São as nossas raízes fincadas aqui. A gente revitalizou o carnaval de rua daqui”.

O terceiro tema, Loucura, fala sobre a importância do bloco não só para o bairro, mas para as vidas das pessoas. “Acaba sendo um lugar celebrado. É uma alegria, um lugar de encontro. O Loucura Suburbana é sempre reverenciado”, confirmou Ariadne.

Para quem não tem condições de comprar ou está sem tempo de procurar fantasias no comércio, o bloco tem a solução.

“O barracão já está aberto para receber os foliões que desejem reservar suas fantasias. No dia do desfile, eles pegam a fantasia, usam e devolvem depois”.

O bloco oferece ainda maquiagem carnavalesca grátis no dia do desfile.

 



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