A Direcional Engenharia consolidou sua posição entre as principais construtoras do segmento de habitação popular no Brasil ao longo das últimas décadas. Fundada no início dos anos 1980 por Ricardo Valadares Gontijo, a empresa é atualmente comandada por Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo e expandiu sua presença nacional impulsionada principalmente pelos programas habitacionais financiados pelo governo federal.
O crescimento ocorreu em paralelo ao fortalecimento do Minha Casa, Minha Vida, que permitiu à companhia entregar milhares de imóveis destinados à população de baixa renda por meio de financiamentos da Caixa Econômica Federal. A estratégia transformou a empresa em uma das maiores do setor e também colocou em evidência o debate sobre a forte participação de recursos públicos no mercado imobiliário voltado à habitação social.
Ao longo dessa expansão, consumidores passaram a registrar reclamações envolvendo empreendimentos da construtora. Entre os principais apontamentos aparecem infiltrações, rachaduras, falhas de acabamento e outros problemas estruturais. Em algumas ações judiciais, perícias concluíram que determinados defeitos ultrapassavam questões relacionadas à manutenção dos imóveis, levando decisões favoráveis aos moradores e à determinação de reparos.
Apesar do volume de processos encontrados em bases públicas, especialistas destacam que a simples existência de uma ação judicial não representa condenação. Empresas de grande porte costumam participar de litígios de natureza cível, trabalhista e consumerista em diferentes regiões do país.
A empresa também foi alvo de ações civis públicas propostas pelo Ministério Público Federal relacionadas a conjuntos habitacionais em estados como Goiás, Acre e Amazonas. Os questionamentos envolveram aspectos de habitabilidade e execução das obras financiadas com recursos públicos.
A Direcional afirma que vem cumprindo acordos firmados com órgãos públicos e destaca que, em Manaus, as intervenções seguem cronograma acompanhado pela Defensoria Pública do Amazonas. Em Goiás, informa que a ação permanece suspensa por decisão judicial e sustenta que as questões discutidas não comprometem a segurança dos imóveis. A empresa também ressalta que um procedimento envolvendo condições de trabalho foi encerrado por meio de acordo firmado em 2019.
Outro episódio frequentemente lembrado envolve o uso de uma aeronave pertencente ao fundador da empresa em um deslocamento ligado à administração pública. O caso foi investigado pelo Ministério Público, mas acabou arquivado após a Justiça entender que não havia elementos suficientes para responsabilização. Segundo a construtora, a ação de improbidade relacionada ao episódio também foi julgada improcedente.
Em outra frente, a companhia apareceu em investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre pagamentos atribuídos à atuação de milícias. Conforme divulgado à época, a construtora era tratada como possível vítima de extorsão, sem conclusão definitiva do inquérito.

A trajetória da Direcional reúne crescimento acelerado, forte presença em programas habitacionais e uma série de questionamentos administrativos e judiciais que acompanharam sua expansão. Ao mesmo tempo, parte dos casos terminou arquivada, resolvida por acordo ou com decisões favoráveis à empresa.







