quinta-feira, agosto 20, 2026
No Result
View All Result
PODER
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
No Result
View All Result
Poder
Home Educação

Você fotografa para lembrar ou por medo de esquecer? O que o celular revela sobre nossa ansiedade

Psiquiatra que também é psicoterapeuta e fotógrafa explica quando registrar momentos deixa de ser uma escolha e pode se transformar em uma tentativa de controlar a incerteza

by Marina Roveda
agosto 20, 2026
in Educação
0
Você fotografa para lembrar ou por medo de esquecer? O que o celular revela sobre nossa ansiedade

Foto: Magnific

Se você abrisse agora a galeria do seu celular, provavelmente encontraria muito mais do que fotos de viagens, aniversários e pessoas queridas. Há registros de documentos, telas, produtos que pretende comprar, informações do que não quer esquecer e, claro, centenas de momentos que talvez nunca mais sejam revisitados.

Fotografar tudo se tornou tão natural que raramente paramos para pensar por que fazemos isso. Será que é apenas para lembrar ou para aliviar o medo de esquecer?

A psiquiatra e psicoterapeuta Renata Covre, da Hapvida, que também atua como fotógrafa, faz uma análise da prática sob a ótica da saúde mental. Segundo ela, mais importante do que contar quantas fotografias uma pessoa realiza é necessário entender qual função o registro desempenha em sua vida.

“Fotografar, por si só, não é um problema. Hoje a câmera do celular também funciona como uma espécie de memória auxiliar. O que começa a chamar atenção é quando deixa de ser uma escolha e vira quase uma necessidade”, explica.

A foto vira alívio?

Uma pessoa pode fazer dezenas ou até centenas de fotografias sem que isso represente qualquer problema, especialmente quando a fotografia faz parte de seu trabalho ou de um hobby. O sinal de atenção, porém, aparece quando deixar de registrar provoca desconforto, insegurança ou a sensação de que algo ruim pode acontecer.

“Se eu fotografo porque quero guardar uma lembrança, é algo. Se eu fotografo para aliviar uma ansiedade, pensando ‘se eu não registrar, algo de ruim pode acontecer’, já existe uma função diferente”, afirma Renata.

Segundo a especialista, o celular pode facilitar esse ciclo porque oferece uma resposta imediata à necessidade de certeza e controle. Registrar algo traz alívio naquele momento, mas pode fazer com que a pessoa sinta necessidade de repetir o comportamento sempre que uma nova dúvida aparecer.

Fotografar para lembrar

Existe ainda uma contradição curiosa: na tentativa de garantir que uma experiência seja lembrada no futuro, podemos prestar menos atenção ao que está acontecendo no presente.

Imagine alguém em um show que passa boa parte da apresentação escolhendo enquadramentos, gravando vídeos, conferindo se as imagens ficaram boas e pensando no que ainda precisa registrar. Parte da atenção está concentrada na produção do registro, e não na experiência em si. E é aí que, segundo a médica, pode estar outro problema.

“Para formar uma memória, primeiro a gente precisa estar minimamente presente e prestar atenção naquela experiência. Mas, às vezes, a pessoa está tão preocupada em garantir uma boa lembrança para o futuro que diminui drasticamente a atenção ao que está acontecendo no presente”, explica a psiquiatra.

Por outro lado, a fotografia pode funcionar como uma pista muito potente para recuperar uma lembrança. “A diferença está justamente em como usamos a câmera. Uma fotografia pode ajudar a guardar uma experiência. O problema é quando a preocupação em guardar se torna tão grande que quase não sobra espaço para viver aquilo que queremos guardar”, reforça a profissional.

Fotografar para focar

Para Renata, que além de médica é fotógrafa, existe outro aspecto que precisa ser considerado: fotografar pode também ampliar a capacidade de observação do mundo.

“Fotografar pode ser uma maneira muito bonita de prestar atenção e ver detalhes. Quando você gosta de fotografia, às vezes começa a observar uma luz, uma expressão, uma cena que talvez passasse despercebida”, conta.

A diferença, portanto, está na liberdade de escolha pessoal. “Eu posso olhar uma cena e pensar: ‘isso eu quero fotografar’. Mas também consigo pensar: ‘essa eu quero só viver’. Quando a pessoa sente que não consegue fazer essa segunda escolha, aí vale observar melhor”, orienta a médica.

Milhares de fotos, poucas lembranças

Outro paradoxo da era digital é que nunca foi tão fácil fotografar, mas muitas imagens acumuladas nunca sequer serão revistas.

“Hoje temos milhares de fotografias, mas muitas vezes quase não voltamos a elas. Podemos acabar acumulando registros sem necessariamente transformá-los em lembranças significativas”, observa.

Uma alternativa, segundo a especialista, é tornar a relação com as fotografias mais intencional: selecionar algumas imagens, organizar álbuns, imprimir fotografias ou simplesmente revê-las com outras pessoas. “A fotografia deixa de ser apenas um arquivo acumulado no celular e passa a funcionar como uma pista para reconstruir aquela história”, ensina Renata.

E há ainda aquilo que nenhuma câmera consegue registrar completamente. “Existem memórias que não são essencialmente visuais: lembrar de uma conversa, de um cheiro, de uma música, da sensação que tivemos naquele lugar. Estar presente ajuda a registrar também essas outras dimensões da experiência.”

A médica explica que não existe uma quantidade ideal de fotos que determine um comportamento saudável. A proposta é encontrar equilíbrio e, principalmente, perceber se existe liberdade para escolher entre registrar e simplesmente viver.

Quando é hora de pedir ajuda?

Fotografar muito, por si só, não significa ansiedade ou transtorno psicológico. O alerta está na combinação entre sofrimento, prejuízo na rotina e perda de liberdade para escolher. “Se a pessoa percebe que fica muito angustiada quando não consegue registrar ou conferir alguma coisa; se perde muito tempo fotografando, organizando, arquivando ou checando; se isso começa a gerar conflitos, atrasos ou prejuízo nas relações; ou se percebe que precisa fazer esses comportamentos repetidamente para aliviar uma ansiedade, pode ser interessante procurar ajuda”, orienta.

A especialista também chama atenção para um ciclo que pode passar despercebido, no qual a fotografia passa a funcionar menos como lembrança e mais como estratégia para eliminar incertezas. Por exemplo: surge uma dúvida ou desconforto, a pessoa registra ou confere algo para se sentir segura, experimenta alívio e, pouco depois, sente novamente a necessidade de repetir o comportamento.

“A fotografia nos oferece inúmeras ferramentas para diminuir pequenas incertezas do cotidiano. Só que nem sempre precisar ter certeza de tudo nos deixa menos ansiosos. Às vezes, pode justamente nos treinar a tolerar cada vez menos a possibilidade de esquecer, perder ou simplesmente não ter tudo registrado”, pontua a médica.

ShareTweet
Marina Roveda

Marina Roveda

Mais da CBN Posts

UnB muda regras de ingresso para ampliar acesso às vagas de graduação

UnB muda regras de ingresso para ampliar acesso às vagas de graduação

by Redação
agosto 20, 2026
0

A Universidade de Brasília (UnB) anunciou, nesta quarta-feira (19), mudanças nas formas de ingresso primário nos cursos de graduação de...

Instituto Natura Brasil analisa Ideb 2025 de escolas 100% integral

Instituto Natura Brasil analisa Ideb 2025 de escolas 100% integral

by Redação
agosto 19, 2026
0

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 mostram que entre as 100 escolas de ensino médio...

Censo registra queda de 1 milhão de matrículas na educação básica

MEC lança diretrizes para ensino de arte na educação básica

by Redação
agosto 18, 2026
0

A rede escolar de educação básica têm agora diretrizes para ensino de arte na educação básica brasileira. Nesta terça-feira (18), foi publicada no...

Prazo para recurso do Celpe-Bras 2025/2 começa nesta terça

Encceja é no próximo domingo; saiba como consultar locais de provas

by Redação
agosto 18, 2026
0

As provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) serão aplicadas no domingo (23) em todos...

Palacete Imperial acumula denúncias de abandono no centro do Rio

Palacete Imperial acumula denúncias de abandono no centro do Rio

by Redação
agosto 17, 2026
0

Quem circula pelo centro do Rio de Janeiro, perto da região do Campo de Santana, pode observar um prédio centenário...

Inscrição para vestibular da Fuvest abre na próxima segunda-feira

Inscrição para vestibular da Fuvest abre na próxima segunda-feira

by Redação
agosto 17, 2026
0

Começa ao meio-dia desta segunda-feira (17) o prazo de inscrição para o Vestibular 2027 da Universidade de São Paulo (USP). O...

Next Post
Automedicação: hábito presente na rotina dos brasileiros pode esconder perigos para a saúde

Automedicação: hábito presente na rotina dos brasileiros pode esconder perigos para a saúde

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Poder

© 2025 - Todos os direitos reservados

Siga-nos

No Result
View All Result
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação