Há cinco anos, o Senado formalizou no seu Regimento Interno a Bancada Feminina, garantindo às senadoras um espaço institucional próprio, com as mesmas prerrogativas garantidas a líderes de partidos ou blocos parlamentares — como preferência no uso da palavra, possibilidade de orientar votações e participação no Colégio de Líderes. A medida fortaleceu a atuação coletiva em pautas de interesse das mulheres e ampliou a visibilidade dessas demandas no Parlamento.
A mudança foi consolidada em 11 de março de 2021, com a com a publicação da Resolução do Senado nº 5, de 2021, promulgada pelo então presidente Rodrigo Pacheco. A norma assegurou à bancada a indicação de líder e vice-líder, com revezamento semestral entre as integrantes. A ex-senadora Simone Tebet (MS), atual ministra do Planejamento e Orçamento, foi a primeira a assumir a liderança do colegiado.
O texto que deu origem à resolução partiu da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), com apoio das demais senadoras em exercício à época.
— A ideia surgiu da necessidade de equidade de voz e voto no Colégio de Líderes. Antes da formalização, as mulheres não tinham assento garantido nas reuniões onde se decide o que será votado no dia. O processo uniu senadoras de espectros políticos dos mais diversos e, desde então, o trabalho da bancada tem sido guiado por uma bússola de transversalidade — explicou.
Em julho de 2025, a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) assumiu a liderança da bancada, cargo que ocupa até hoje. Em pronunciamento naquele dia, ela reafirmou o compromisso com a defesa dos direitos das mulheres:
— Avanços significativos foram conquistados ao longo desse período. No entanto, não foram simétricos, nem sincronizados. Continuamos na nossa luta permanente: a construção de cotas e políticas de afirmação e de garantia de espaço político.
Atualmente formada por 16 integrantes, a Bancada Feminina hoje é maior do que qualquer representação partidária no Senado — o PL, maior partido na Casa, tem 15 senadores. Embora representem menos de 20% da composição da Casa, as mulheres alcançaram o maior número de senadoras em exercício em uma mesma legislatura. O avanço é gradual, mas contínuo.



