Pedro I abordou a morte recente do pai, o rei João VI de Portugal, que havia falecido em março — “uma dor pungente” em seu coração, segundo ele. Como havia dúvida sobre a sucessão em Lisboa, Pedro I garantiu que isso não mudava sua determinação de permanecer no Rio de Janeiro e declarou-se um “defensor perpétuo” do Brasil.
— Ora a dor, ora o dever ocupam meu espírito. Pondo tudo de parte, olho aos interesses do Brasil, atendo à minha palavra. Quero sustentar minha honra. Conheçam alguns brasileiros ainda incrédulos que o interesse pelo Brasil e o amor da sua independência é tão forte em mim que abdiquei da coroa da monarquia portuguesa, que me pertencia por direito indisputável, só porque para o futuro poderia comprometer os interesses do mesmo Brasil.
O monarca listou aos parlamentares algumas prioridades: que cuidassem “da educação da mocidade” e da saúde econômica do país e que implementassem a nova Constituição, fazendo novas leis regulamentares e a abolindo as conflitantes. Ele também fez um apelo pela boa convivência entre os Poderes.
— A continuação deste sossego, a necessidade do sistema constitucional e o empenho que eu tenho, que o Império seja regido por ele, instam a que haja tal harmonia entre o Senado e a Câmara dos Deputados, e entre o governo e ambas as câmaras, que faça com que todos se capacitem. As revoluções não provêm do sistema, mas sim daqueles que, à sombra dele, buscam pôr em prática os seus fins particulares.
Como se tratava de uma sessão imperial, não estava prevista para o dia 6 nenhuma deliberação. Isso não impediu o deputado José Antonio da Silva Maia, de Minas Gerais, de instigar a Mesa a iniciar a discussão sobre uma questão constitucional: o reconhecimento de Pedro de Alcântara, o jovem filho do imperador, como herdeiro do trono pela Assembleia. O presidente Visconde de Santo Amaro rejeitou o apelo e encerrou a sessão.



