quarta-feira, outubro 14, 2026
No Result
View All Result
PODER
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação
No Result
View All Result
Poder
Home Saúde

O Kitsch é o brega nosso de cada dia

by Redação
abril 4, 2025
in Saúde
0
Las Vegas é o cenário kitsh por excelência. Luzes, réplicas, neons - uma ode ao excesso - Imagem: Natalie Soares/ Divulgação
Las Vegas é o cenário kitsh por excelência. Luzes, réplicas, neons - uma ode ao excesso - Imagem: Natalie Soares/ Divulgação
Las Vegas é o cenário kitsh por excelência. Luzes, réplicas, neons – uma ode ao excesso – Imagem: Natalie Soares/ Divulgação

Marlene Polito Publicado em 01/04/2025, às 11:03

Por que amamos o que, teoricamente, deveríamos desprezar?

Do anão de jardim à estatueta de unicórnio com glitter, do altar barroco dourado às novelas mexicanas e boleros rasgados, há algo no exagero, na artificialidade e até no “mau gosto” que insiste em nos seduzir. O nome disso? Kitsch.

Quando o mau gosto virou categoria estética

A origem do termo kitsch remonta à Alemanha do século XIX, onde era usado para descrever obras de arte baratas e sentimentais, feitas para agradar facilmente o público. De início, era apenas um rótulo pejorativo, que opunha esse tipo de produção à “arte elevada”, autêntica, refinada. No século XX, o debate se intensificou.

O crítico Clement Greenberg foi um dos primeiros a identificar o kitsch como um subproduto da cultura de massa: uma arte que, segundo ele, evitava o esforço intelectual em troca da gratificação imediata. Hermann Broch, por sua vez, via o kitsch como um consolo fácil, quase anestésico, para um mundo cada vez mais desencantado. Mas o tempo, sempre ele, gosta de dar meia-volta.

O retorno triunfal do exagero

Na segunda metade do século XX, com o advento do pós-modernismo, o kitsch passou por um inesperado processo de ressignificação. O que antes era considerado “feio” ou “cafona” ganhou nova roupagem e começou a ser revisitado como objeto digno de estudo, ironia e até veneração.

Balloon Dog (laranja), de Jeff Koons, em exibição na Christie’s. Imagem: Divulgação

Artistas como Jeff Koons, com suas esculturas monumentais de cachorros-balão em aço reluzente (Balloon Dog), assumiram sem pudor a estética kitsch. Em uma só peça, ele mistura a inocência infantil com o luxo metálico e espelhado de uma galeria milionária. Andy Warhol, ao elevar latas de sopa Campbell’s à condição de ícones artísticos, também contribuiu para borrar as fronteiras entre o vulgar e o sublime.

No design, o grupo Memphis, fundado em Milão nos anos 1980, fez história ao criar móveis que pareciam ter saído de um sonho infantil regado a sorvete de tutti-frutti: estantes tortas, cores berrantes, formas geométricas que desafiavam a lógica. A estante Carlton, por exemplo, virou símbolo de uma estética que grita — e não pede desculpas.

Estante Carleton, por Ettore Sottsass. Imagem: Divulgação

De repente, o kitsch deixou de ser apenas “mau gosto” e passou a ser estratégia estética. Uma provocação consciente.

Um pouco de ironia, um pouco de afeto

Umberto Eco, um dos maiores intelectuais do século XX, em Apocalípticos e integrados, nos ajudou a entender o kitsch como parte legítima da cultura de massa — algo que não deve ser descartado por puro esnobismo intelectual.

Afinal, o que move o kitsch, muitas vezes, é o afeto. Ele não busca o aplauso da crítica, mas o calor do reconhecimento. Um sentimentalismo escancarado que, para alguns, é piegas. Para outros, é humano demais para ser ignorado.

Na estética queer, no universo drag, nas festas populares, no carnaval: o kitsch se insinua como uma forma de resistência ao gosto institucionalizado. Ele é irreverente, colorido, exagerado — e justamente por isso tão poderoso.

O brega nosso de cada dia

Se o kitsch europeu tem seus bibelôs dourados e suas tapeçarias aveludadas, por aqui ele se manifesta com brilho e coração.

Pinguins de geladeira. Imagem: Divulgação

E como esquecer os pinguins da geladeira da vovó? As toalhinhas de crochê plastificadas? Os bibelôs de casal apaixonado, os quadros com cachoeira que acende, os porta-retratos com purpurina? Isso sem falar nas lojinhas de beira de estrada, com suas fontes iluminadas, cavalinhos que balançam a cabeça e cachorrinhos que acendem seus olhos a cada freada do carro.

São objetos que talvez não passem pelo crivo da crítica de arte, mas que passam — com louvor — pelo crivo do afeto. Ridículos? Talvez. Mas adorados, guardados, presentes de aniversário e troféus de conquista.

O kitsch, nesse sentido, é a prova de que o gosto, mesmo o “mau gosto”, é também uma forma de amor. Valoriza o artifício, o exagero e o que é “tão ruim que chega a ser bom”.

Porque o que é kitsch nunca é só kitsch

No fim das contas, talvez o kitsch nos comova porque ele fala diretamente ao coração — sem filtros, sem rodeios, sem medo do ridículo. Ele pode ser superficial, mas nem por isso vazio. Pode parecer ingênuo, mas às vezes esconde camadas de crítica e subversão. Ele nos confronta com o que tentamos esconder: nosso gosto pelo dramalhão, nossa nostalgia do que é simples, nossa sede por beleza fácil — ou por uma beleza que não pede licença para ser sentida.

A fronteira entre o sublime e o cafona é tênue. E deliciosa. Afinal, quem nunca se emocionou com algo que não ousaria colocar na estante?

ShareTweet
Redação

Redação

Mais da CBN Posts

Fiocruz analisa impacto das queimadas na saúde indígena no Amazonas

Fiocruz analisa impacto das queimadas na saúde indígena no Amazonas

by Redação
outubro 14, 2026
0

A poluição do ar provocada por queimadas e incêndios florestais no Amazonas representa um risco à saúde da população, especialmente...

Saiba o que é adenocarcinoma pulmonar, câncer que atinge o Papa Leão XIV

Saiba o que é adenocarcinoma pulmonar, câncer que atinge o Papa Leão XIV

by Redação
outubro 14, 2026
0

O Papa Leão XIV passou nesta terça-feira (13) por uma cirurgia para retirada de um nódulo no pulmão direito após os...

Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis

Homens costumam descobrir câncer de mama em estágio mais avançado

by Redação
outubro 13, 2026
0

Os homens também são afetados pelo câncer de mama e normalmente o descobrem em estágios mais avançados. O alerta é...

Malária: Anvisa autoriza teste em humanos de vacina 100% brasileira

Malária: Anvisa autoriza teste em humanos de vacina 100% brasileira

by Redação
outubro 10, 2026
0

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de testes em humanos da primeira vacina do mundo contra...

Ex-presidente José Sarney é internado com quadro de pneumonia

José Sarney é internado em UTI após procedimento abdominal

by Redação
outubro 10, 2026
0

O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do UDI Hospital, em São...

Dia D de vacinação será realizado neste sábado em todo o país

Meningite: quatro cidades do Rio ofertam vacina a pessoas até 24 anos

by Redação
outubro 9, 2026
0

Pessoas até 24 anos podem se vacinar contra a meningite nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de...

Next Post
Balanço do verão revela que as chuvas foram insuficientes para recuperar os estoques hídricos afetados por secas e incêndios - Imagem: Freepik

Previsão do Inmet: abril terá verão intenso e chuvas escassas

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Poder

© 2025 - Todos os direitos reservados

Siga-nos

No Result
View All Result
  • Home
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Saúde
  • Educação