A chegada dos 18 anos traz consigo diversas mudanças, e uma delas é a forma como cada pessoa passa a cuidar da própria saúde. O que antes era organizado pelos pais ou responsáveis passa a depender da iniciativa do próprio jovem, e, entre estudos, trabalho, vida social e outras demandas do cotidiano, o acompanhamento médico costuma ser deixado de lado. A percepção de estar bem, sobretudo na ausência de sintomas, reforça essa tendência de adiar a prevenção.
Esse cenário é reforçado por um levantamento do Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, que apontou que um em cada quatro jovens adultos não possui médico de atenção primária. Entre os jovens de 18 a 29 anos que têm algum tipo de acompanhamento, apenas 47% realizaram uma consulta de rotina no último ano.
Apesar de a pesquisa ter sido feita nos Estados Unidos, o resultado levanta um ponto importante também para a realidade brasileira: a relação entre a entrada na vida adulta e a criação de uma rotina de cuidados preventivos.
Nem todo problema dá sinais
A clínica geral da Hapvida, Stephanie Paula Dourado, explica que sentir-se bem fisicamente não elimina a necessidade de uma consulta preventiva. Segundo ela, doenças como hipertensão e alterações no colesterol e na glicemia podem evoluir de forma silenciosa, sem sinais perceptíveis no dia a dia.
A médica lembra que determinados fatores de risco podem estar presentes até em pessoas jovens e sem queixas. No caso da hipertensão, por exemplo, a genética e o histórico familiar são elementos que pedem atenção especial — daí a importância de o médico conhecer esse histórico durante a consulta, para orientar quais cuidados devem ser priorizados.
Consulta não é sinônimo de bateria de exames
Manter um acompanhamento médico regular não significa que o jovem precise fazer uma extensa lista de exames anualmente. A especialista reforça que os exames devem ser indicados de acordo com a idade, o histórico familiar e os fatores de risco de cada paciente, evitando solicitações desnecessárias.
Dessa forma, a consulta funciona como um espaço para avaliar aspectos que costumam passar despercebidos no cotidiano, como pressão arterial, alimentação, atividade física, qualidade do sono, vacinação, saúde mental e outros elementos relacionados ao estilo de vida.
Hábitos que começam agora
Segundo Stephanie Paula, a fase de entrada na vida adulta também é o momento ideal para construir hábitos que podem acompanhar a pessoa por muitos anos. Ela cita alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado, não fumar, controle de peso e cuidado com a saúde mental como comportamentos que trazem benefícios tanto no presente quanto nas décadas seguintes.
A proposta é que o jovem entenda que cuidar da saúde também faz parte da autonomia conquistada nessa nova fase da vida. Para a médica, realizar uma avaliação preventiva periódica — geralmente uma vez por ano, no caso de jovens saudáveis — é uma boa forma de acompanhar a própria saúde e manter a prevenção em dia.







