Uma conversa entre o advogado Guilherme Vinícius Justino Rodrigues e a ex-companheira, Luma, reúne declarações sobre o relacionamento dos dois e traz relatos de pressão sexual, controle e perseguição. Em determinado trecho, o advogado admite que adotava comportamentos para tentar fazer a então companheira mudar de posição quando ela dizia não.
“Várias vezes eu, quando você falava não, eu ficava, virava a cara, ficava puto […] pra quê? Pra forçar você a falar sim.”
A conversa faz parte dos elementos relacionados ao conflito entre os dois, que também envolve medidas protetivas, disputa patrimonial e uma série de questões relacionadas ao Clube Atlético Juventus, da Mooca.
Luma relata durante o diálogo episódios que classifica como “sexo forçado”, inclusive relações sem preservativo. Guilherme nega ter praticado estupro e os demais crimes atribuídos a ele. A eventual responsabilidade criminal depende da apuração das autoridades e de decisão judicial.
As declarações são analisadas no contexto do Inquérito Policial nº 1522645-81.2026.8.26.0050.
Admissões durante a conversa
Em diferentes momentos do diálogo, Guilherme reconhece atitudes que ele próprio considera abusivas. Ao falar sobre a relação, afirma:
“Eu fui abusivo com você em vários momentos.”
Ele também admite que tentava controlar aspectos da rotina da ex-companheira.
“Eu queria controlar, sim.”
Em outra passagem, Guilherme reconhece que procurava descobrir onde Luma estava.
“Eu realmente fui atrás de saber onde você estava”, diz.
A conversa também menciona uma alteração de senha que, segundo ele, teria sido feita para permitir o acompanhamento da localização dela.
“Eu fui lá mudar a sua senha pra também saber onde você estava.”
O diálogo registra ainda situações em que Guilherme teria insistido em permanecer próximo de Luma mesmo quando ela não queria.
“Eu impunha a minha presença várias vezes quando você não queria”, afirma.
Sexo forçado é citado no diálogo
A parte mais grave da conversa ocorre quando os dois discutem episódios relacionados à vida sexual.
Luma utiliza a expressão “sexo forçado” para se referir a situações que afirma ter vivido durante o relacionamento. Ela também relata episódios sem preservativo.
Guilherme questiona se ela pretende apresentar uma acusação de estupro. Luma responde que não, afirmando que aquele episódio não fazia parte do inquérito discutido naquele momento.
Em seguida, o diálogo aborda a maneira como Guilherme reagia diante das recusas.
“Se você não quisesse, eu virava a minha cara, não sei o quê e tal.”
Na sequência, ele reconhece que a reação tinha o objetivo de pressioná-la:
“Várias vezes eu, quando você falava não, eu ficava, virava a cara, ficava puto […] pra quê? Pra forçar você a falar sim.”
As declarações não constituem, isoladamente, uma confissão formal de estupro ou uma condenação. A investigação deverá avaliar o conteúdo da conversa juntamente com os demais elementos apresentados no caso.
“Eu fiz tudo que você falou que eu fiz”
O advogado também faz uma declaração abrangente sobre as atitudes discutidas pelos dois.
“Eu fiz tudo que você falou que eu fiz e muito mais. Isso é só uma parcela.”
Em outro momento, admite ter buscado imagens de câmeras de segurança junto a um vizinho.
“Eu fui até o vizinho, eu pedi pra ele as câmeras […] é verdade.”
Ao avaliar a própria conduta, Guilherme afirma:
“Eu sei que eu fiz merda […] eu sei todas as coisas que eu fiz errado com você.”
A ruptura e as medidas de proteção
O relacionamento chegou ao fim em março de 2026. No dia 12 daquele mês, Luma registrou boletim de ocorrência com relatos envolvendo violência doméstica, ameaça e perseguição.
Entre os comportamentos relatados estavam controle de senhas, monitoramento, ligações insistentes e tentativas de acompanhar os deslocamentos dela.
O caso deu origem ao Inquérito Policial nº 1522645-81.2026.8.26.0050 e posteriormente foram determinadas medidas protetivas de urgência.
As restrições estabeleceram limites de contato e aproximação entre os dois.
Guilherme contestou as medidas e argumentou que elas estariam inseridas no contexto do término do relacionamento e da disputa patrimonial. Decisões judiciais, entretanto, mantiveram a proteção.
Posteriormente, as regras foram flexibilizadas para permitir a presença do advogado no Juventus, desde que respeitada uma distância mínima em relação à ex-companheira.
Testemunha também aparece nos documentos
Entre os documentos relacionados ao caso está uma declaração de testemunha ouvida pela Delegacia da Mulher.
Segundo os documentos consultados, o depoimento apresenta elementos relacionados à versão de Luma sobre a acusação de estupro, mencionada no Boletim de Ocorrência nº 5740-1/2026.
A acusação permanece sob investigação, assim como os demais fatos relatados pela ex-companheira.
Disputa também envolve o Juventus
O conflito pessoal entre os dois acabou atingindo o clube da Mooca.
Luma trabalhava como advogada ligada ao Juventus. Guilherme, por sua vez, exercia atividades como conselheiro e coordenador de sindicância.
Com o agravamento da disputa, Luma deixou os trabalhos jurídicos relacionados à instituição e rescindiu sua prestação de serviços.
Guilherme sustenta que houve uma articulação para afastá-lo do clube. Em suas manifestações, cita Carlos Eduardo Gomes Pedroso, presidente do Conselho Deliberativo do Juventus, e afirma que questões pessoais passaram a interferir nas relações internas.
A disputa passou a envolver procedimentos administrativos e diferentes ações judiciais.
Acusações posteriores
Meses depois das denúncias apresentadas por Luma, Guilherme também passou a apresentar acusações relacionadas ao clube.
Segundo o ge, em agosto de 2026, ele prestou informações à Polícia Civil sobre supostos desvios de recursos do Juventus e apontou possível envolvimento de dirigentes e da ex-companheira.
A cronologia mostra que as acusações relacionadas ao clube foram apresentadas depois das denúncias feitas por Luma em março.
A sequência, entretanto, não permite afirmar que os episódios estejam necessariamente relacionados ou que as acusações posteriores tenham sido apresentadas como retaliação. Essa eventual conexão deverá ser analisada pelas autoridades.
“Eu sei como é que eu faria pra eu arquivar esse negócio”
Outro trecho do diálogo envolve a investigação aberta após as denúncias de Luma.
Ao falar sobre o procedimento, Guilherme afirma:
“Eu sei como é que eu faria pra eu arquivar esse negócio.”
Ele menciona, na sequência, a possibilidade de utilizar seus conhecimentos para tentar encontrar uma forma de arquivar o inquérito.
A conversa também cita Carlos Eduardo. Guilherme afirma:
“Hoje eu consigo atingir ele bastante.”
Segundo ele, a investigação poderia “expor muito” o dirigente.
Luma questiona a relação entre eventuais informações sobre Carlos Eduardo e o inquérito relacionado às denúncias feitas por ela.
“Mas eu cometi, Luma”
Em outro momento da conversa, Luma demonstra arrependimento pelas situações discutidas. Guilherme responde assumindo que as condutas mencionadas ocorreram.
“Mas eu cometi, Luma. Eu não consigo voltar com o tempo.”
Pouco depois, ele repete:
“Eu fui abusivo com você em vários momentos.”
As falas fazem parte de uma conversa na qual os dois discutem o relacionamento, a separação, as acusações e os desdobramentos judiciais.
O que está sob investigação
O caso reúne diferentes procedimentos desde o fim do relacionamento.
De um lado, Luma acusa Guilherme de violência doméstica, perseguição, ameaça e episódios de sexo forçado. De outro, Guilherme nega os crimes atribuídos a ele e afirma que parte do conflito está ligada ao término da relação e à disputa patrimonial.
Também existem acusações posteriores envolvendo o Juventus e pessoas ligadas à administração do clube.
A eventual responsabilidade criminal pelas condutas relatadas ainda não foi definida. Os áudios, documentos, depoimentos e demais elementos deverão ser avaliados pelas autoridades responsáveis pelo caso.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi procurada para comentar a investigação e informou que não comentaria.
Guilherme nega ter cometido os crimes atribuídos a ele.


